
Amazonas tem 1.552 focos de incêndio em setembro e dois municípios entre os líderes de área queimada no Brasil
O Amazonas registrou 1.552 focos de incêndio em setembro até o dia 11, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número reforça o alerta para a intensificação da seca no estado, em um cenário já apontado por especialistas como de risco elevado para queimadas ao longo da primavera.
De acordo com o mais recente Boletim do Fogo, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), dois municípios amazonenses aparecem entre os dez com maior quantidade de área queimada no país no período de 31 de agosto a 7 de setembro. Novo Aripuanã lidera o ranking nacional, com 25.732 hectares queimados na semana, à frente inclusive de cidades do Tocantins e da Bahia. Apuí também figura na lista, com 10.150 hectares atingidos pelo fogo no mesmo intervalo.
No acumulado do ano, de 1º de janeiro a 7 de setembro, o Amazonas soma 259.938 hectares de área queimada, ocupando a sétima posição entre os estados brasileiros, atrás de Mato Grosso, Tocantins, Pará, Maranhão, Bahia e Piauí.
Já no bioma Amazônia como um todo, o levantamento aponta 1.338.834 hectares queimados em 2026, o equivalente a 0,32% da área total do bioma. O número representa uma redução de 56,11% em relação à média histórica registrada entre 2012 e 2025.
A previsão climática do Centro de Inteligência e Dados da Amazônia (Censipam) para o trimestre de setembro a novembro indica chuvas abaixo da média em estados como Amazonas, Amapá, Roraima, Pará, Maranhão e Acre, além do norte de Mato Grosso, Tocantins e Rondônia. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a Amazônia Legal e no Pantanal.
O cenário, associado à intensificação do El Niño, reforça a possibilidade de atraso no início da estação chuvosa no centro e no sul da Amazônia Legal. A persistência de períodos secos mantém a atenção para o aumento do risco de incêndios florestais e para a redução da disponibilidade hídrica, já que a menor ocorrência de chuvas favorece o ressecamento da vegetação e limita a recuperação dos níveis dos rios.
O modelo de risco de fogo classifica 514 municípios brasileiros na categoria de Alerta Alto e outros 706 na categoria Alerta, juntos somando cerca de 5,85 milhões de km². Os níveis mais elevados de risco se concentram em Mato Grosso, no sul do Amazonas, no Pará e em áreas adjacentes.
Apesar de julho e agosto de 2026 terem registrado os menores volumes de ocorrências de fogo da série histórica na Amazônia Legal — com agosto apresentando 56% menos casos que a média —, houve um salto de 107% nas ocorrências entre julho e agosto, o que indica uma rápida intensificação da atividade de fogo na região. A projeção é de que setembro concentre o maior número de ocorrências do ano, com maior severidade inicialmente no arco leste (Tocantins, Pará, Maranhão e Mato Grosso) e posterior expansão para a região formada por Amazonas, Acre e Rondônia.
O Boletim do Fogo é uma publicação periódica do MMA, divulgada semanalmente às segundas-feiras durante o período de maior incidência de incêndios florestais no país. O informe reúne dados sobre áreas queimadas por bioma, estado, município, assentamentos, terras indígenas e unidades de conservação federais, além de informações sobre recursos mobilizados para prevenção e combate aos incêndios. A série é publicada desde 2024, entre os meses de agosto e dezembro.
Veja mais notícias em Cidade