
Feira Norte do Estudante 2026 acontece de 23 a 25 de setembro e aproxima jovens do mercado de trabalho
Com a taxa de desemprego em 8,4% no Amazonas em 2025, acima da média nacional de 5,6%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estágio se mantém como uma das principais portas de entrada para o mercado de trabalho. Mais do que um requisito acadêmico, a ferramenta permite aos estudantes compreenderem processos, lidarem com desafios reais do mundo do trabalho e desenvolverem competências socioemocionais valorizadas em qualquer área, como comunicação, liderança e resiliência.
Além disso, coloca em prática o que aprenderam na escola, na faculdade ou em curso técnico, sendo regido pela Lei nº 11.788/2008. Para especialistas, os números sugerem a possibilidade de ampliação e um espaço para conectar jovens ao emprego em um cenário de altas taxas de desemprego e desafios com a geração “nem-nem”, jovens que não estudam nem trabalham.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Estágios (Abres) de 2025, o Brasil tem cerca de 20 milhões de estudantes aptos a estagiar, mas apenas 1,1 milhão (5,48%) conseguem uma oportunidade. Desses, 40% a 60% dos estagiários são efetivados após a conclusão do programa. Ou seja, mais da metade transforma essa primeira oportunidade em emprego formal, consolidando um ciclo de aprendizado e empregabilidade.
Para a mentora de carreiras Mauryen Oliveira, o primeiro estágio é o momento em que o jovem começa a transformar potencial em repertório, comportamento e resultados. “É ali que ele aprende sobre o ambiente de trabalho, desenvolve responsabilidade e começa a construir sua trajetória profissional. E eu gosto de reforçar que a empresa espera encontrar alguém com potencial para aprender e disposição para contribuir. Por isso, o primeiro estágio pode até ser o primeiro item do currículo, mas pode ser um dos capítulos mais importantes da construção da carreira”, afirma.
Na região Norte, apenas 2,17% dos alunos do ensino médio e técnico conseguiram um estágio em 2024, o menor índice do país, aponta a Abres. Nesse cenário, o networking se torna um diferencial decisivo. Segundo levantamentos do setor, 85% das vagas de estágio são preenchidas por indicação, o que significa que construir uma rede de contatos é tão importante quanto ter um bom currículo. Na Feira Norte do Estudante (FNE) 2026, que ocorre nos dias 23, 24 e 25 de setembro em Manaus, os estudantes encontrarão representantes de instituições com programas de estágio e trainee disponíveis para conversar diretamente com eles. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio do site: feiranortedoestudante.com.br .
Mauryen Oliveira argumenta que networking é sobre construir relacionamentos, e o jovem não precisa começar conhecendo grandes executivos. “Ele pode começar pela rede que já está ao seu alcance: professores, colegas, coordenadores, ex-alunos, profissionais que conhece em eventos e pessoas que acompanha no LinkedIn”, afirma. Também ressalta que networking não é sobre quantas pessoas se conhece, mas sobre a qualidade das relações construídas de forma genuína.
E, para quem vai à FNE 2026, ela orienta que é importante ser lembrado: “Não vá ao estande apenas para entregar currículo. Vá para ser lembrado. Quando chegar ao recrutador, seja objetivo e autêntico: faça perguntas, demonstre interesse. Se a conversa fizer sentido, pergunte se pode conectar-se com ele no LinkedIn”, detalha a mentora de carreiras.
Além de ser uma porta de entrada para o mercado, o estágio também oferece uma remuneração que, embora varie por região e nível de ensino, tem apresentado crescimento nos últimos anos. Pesquisa Nacional de Bolsa-Auxílio 2024, do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), aponta que a média geral da bolsa-auxílio no Brasil é de R$ 1.257,96, alta de 3,91% em relação a 2023. Na região Norte, o valor médio é de R$ 1.201,96, abaixo das médias do Sul (R$ 1.348,93) e do Sudeste (R$ 1.299,81), mas acima do Nordeste (R$ 1.177,74). Ao final do estudo, o presidente do Nube, Carlos Henrique Mencaci, avaliou que o quadro demonstra uma boa perspectiva para o futuro. “O cenário demonstra um crescimento exponencial em todas as remunerações, o mercado está evoluindo em um ritmo significativo”, explica.
Os dados mostram ainda o domínio de áreas analíticas e tecnológicas no ensino superior, com destaque para cursos como estatística, ciências atuariais (área de seguros e finanças) e Tecnologia da Informação (TI). No ensino médio técnico, lideram formações industriais como Mecânica, Eletrônica e Eletrotécnica, seguidas pelas áreas de tecnologia e gestão.
A estudante de direito, Thais Muniz, aprendeu no estágio que a prática ensina a tomar decisões e resolver problemas reais, algo que a sala de aula não reproduz. “A faculdade oferece uma base teórica muito importante, mas é na prática que aprendemos a tomar decisões, resolver problemas reais, desenvolver habilidades de comunicação e compreender os desafios da profissão”, conta. Ela recomenda que os jovens aproveitem cada oportunidade, como eventos para conversar com as empresas e trocar contatos. “Vá preparado, confiante e de mente aberta. Às vezes, uma conversa, um contato ou uma oportunidade podem transformar o início da sua carreira”, diz.
Já Thallys Neutron, estagiário de jornalismo e aluno de segunda faculdade, encontrou no estágio uma oportunidade de conhecer esse novo mercado de trabalho. Um dos primeiros impactos que ele percebeu foi a diferença de idade entre ele e os colegas, mas, segundo ele, isso tem ajudado mais do que atrapalhado. “Chegar à faculdade de jornalismo cinco, seis anos mais velho que a maioria dos colegas e já com uma formação teve grande impacto na assimilação dos conceitos do curso e também no desenvolvimento das relações nos estágios”, pontua.
Thallys explica que a experiência anterior, mesmo sendo em outra área, dá uma bagagem que faz diferença no dia a dia do estágio, principalmente na comunicação e na escrita, mas reconhece que em equipes com diferença de idade muito grande podem surgir conflitos. Sobre a transição, ele avalia que foi planejada e que a nova área acabou funcionando como uma especialização da anterior. “Independentemente de qual foi o primeiro curso, a experiência deve ser aproveitada na nova formação, senão técnica, mas de vivência. E, para aproveitar experiências passadas e adquirir novas, é importante sempre estar com a mente aberta e ativa”, finaliza.
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