19/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Serafim diz que política ‘só tem porta de entrada’ na 20ª eleição

Publicado em 19 de agosto, 2026

Foto: Divulgação

O vice-governador do Amazonas e candidato à reeleição, Serafim Corrêa, afirmou que a disputa de 2026 será a 20ª eleição de sua trajetória política, iniciada há 40 anos. Em entrevista ao programa O Povo na TV, da TV Norte/SBT Amazonas, ele também falou sobre investimentos privados, geração de energia, saúde pública e as medidas adotadas para evitar problemas de abastecimento durante períodos de vazante dos rios.

“A política só tem porta de entrada”, disse Serafim, ao explicar por que permaneceu na atividade mesmo depois de não conseguir a reeleição para a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em 2022.

A frase, segundo ele, é atribuída ao ex-presidente José Sarney.

“Você busca a porta de saída e não tem. Então, nós fazemos política de manhã, de tarde, de noite, sempre. Ainda que não tenhamos mandato, ainda que estejamos afastados das lides políticas, você está fazendo política. Até quando você nega a política, você está fazendo política”, afirmou.

20ª eleição

Serafim disputou sua primeira eleição em 1986. Desde então, acumulou vitórias e derrotas e exerceu, entre outros cargos, os mandatos de vereador, prefeito de Manaus e deputado estadual. Atualmente, ocupa a Vice-Governadoria ao lado do governador Roberto Cidade.

“Essa próxima eleição é a vigésima eleição que eu disputo. Vitórias, derrotas, mas tudo bem. Vida que segue”, resumiu.

A permanência na política ganhou novo capítulo depois das eleições de 2022, quando Serafim não conseguiu renovar o mandato de deputado estadual. Em 2026, voltou à disputa eleitoral na chapa que busca manter Roberto Cidade no Governo do Amazonas.

Investimentos e energia

Questionado sobre geração de emprego e renda, Serafim apontou a atração de investimentos como uma das estratégias para ampliar a atividade econômica. Segundo ele, o Estado aprovou 320 projetos empresariais em 2025.

O vice-governador também citou os investimentos ligados à exploração de gás natural e à geração de energia no interior, especialmente em Silves e Itapiranga.

Serafim relacionou esse movimento à conexão de Manaus ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e à infraestrutura de transmissão de energia associada ao Linhão de Tucuruí.

Segundo ele, o Amazonas passou de importador a exportador de energia e atualmente teria capacidade de enviar quase 300 megawatts para o sistema.

“Isso fez com que o Amazonas saísse da condição de importador de energia para exportador de energia. Estamos podendo exportar quase 300 megas de energia. Isso é um dado muito importante”, afirmou.

Saúde exige integração, diz Serafim

Na saúde, Serafim defendeu maior articulação entre União, Estado e municípios e disse que os problemas do setor não podem ser atribuídos exclusivamente a uma esfera de governo.

“A saúde do Amazonas tem problemas há muito tempo, e esses problemas decorrem, a meu ver, da falta de entendimento nas três esferas de poder: no município, no Estado e na União”, afirmou.

Para o vice-governador, o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) exige responsabilidades compartilhadas.

“Um joga a culpa no outro. Um atribui ao outro a responsabilidade, e não é assim. A culpa e a responsabilidade são de todos, e todos têm que contribuir para a solução”, disse.

Serafim citou o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), e afirmou considerar a unidade subutilizada. Na avaliação dele, uma participação maior do hospital federal na rede poderia ampliar a oferta de atendimento especializado.

“Manaus tem o melhor hospital público do Estado. É o Hospital Universitário Getúlio Vargas. Ele é federal, ele é da Ebserh, mas ele é subutilizado”, declarou.

A afirmação sobre a subutilização é uma avaliação do vice-governador. Serafim defendeu ainda que críticas à saúde pública sejam acompanhadas de propostas para enfrentar os problemas.

“Só criticar, só jogar pedra, não vai resolver nada”, afirmou.

Ele disse que o governo pretende melhorar os serviços de saúde durante um eventual novo mandato e citou o governador Roberto Cidade e o secretário estadual de Saúde, Luiz Saraiva, ao falar do compromisso.

Portos durante a vazante

Serafim também relembrou a estratégia adotada em 2024 para reduzir os riscos de desabastecimento provocados pela vazante dos rios.

Naquele ano, dois portos provisórios foram utilizados em Itacoatiara para permitir a movimentação de cargas diante das dificuldades de navegação. O vice-governador chamou a alternativa de “solução cabocla”.

Segundo Serafim, a medida nasceu de uma sugestão apresentada ao governo após os problemas enfrentados em 2023.

“Essa foi uma solução cabocla. Foi a iniciativa de um caboclo, que nos procurou e disse: ‘O caminho para nós não sofrermos a crise que sofremos em 2023 é termos dois portos provisórios e temporários em Itacoatiara’”, relatou.

Ele afirmou que a operação de 2024 foi executada pela iniciativa privada e não teve custos para o Estado. A estrutura, segundo o vice-governador, poderá voltar a ser utilizada caso as condições de navegabilidade exijam a medida.

Serafim citou Porto Chibatão e Super Terminais entre as empresas que participaram da operação e agradeceu aos trabalhadores envolvidos na transferência das atividades para Itacoatiara.

“Esse deslocamento não custou nada para os cofres públicos, foi a iniciativa privada quem fez tudo isso”, afirmou.

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