
Parintins registra primeira adoção de adolescente acolhido pelo Saica
Parintins registrou a primeira adoção de um adolescente acolhido pelo Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica) do município. Depois de oito anos no serviço, ele deixou a instituição nesta semana para começar a viver com a família adotiva.
O adolescente chegou ao Saica em 2018, aos 7 anos. Durante o período de acolhimento, foi acompanhado por profissionais responsáveis pela educação, convivência social, fortalecimento de vínculos e desenvolvimento da autonomia.
A saída ocorreu na tarde de segunda-feira (17/8), quando a nova família foi buscá-lo no serviço de acolhimento.
O processo de adoção teve acompanhamento do Sistema de Garantia de Direitos e da 2ª Vara da Comarca de Parintins, responsável pela condução judicial do caso.
A coordenadora do Saica, Alessandra Maia, explica que a adoção de adolescentes exige preparação tanto de quem será adotado quanto da família que pretende recebê-lo.
“A adoção tardia carrega desafios próprios. Um adolescente que passou por diferentes experiências ao longo da vida chega ao processo trazendo sua história, seus sentimentos e suas vivências. Por isso, cada etapa exige cuidado, escuta, preparação e acompanhamento”, afirmou.
O acolhimento institucional é uma medida de proteção destinada a crianças e adolescentes temporariamente afastados da convivência familiar. A permanência no serviço não substitui o direito à convivência familiar e comunitária.
No caso registrado em Parintins, a trajetória entre a chegada ao Saica e a adoção atravessou praticamente toda a infância do adolescente.
A nova família é a de Rafael Oliveira, que já havia passado anteriormente pelo processo de adoção de duas crianças.
O contato com a história do adolescente ocorreu por intermédio de Juliana Villarim, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional do Amazonas (Cejaia), vinculada à Corregedoria-Geral de Justiça. Ela havia acompanhado o processo envolvendo os outros filhos da família.
A possibilidade de receber o adolescente levou a família a modificar o perfil inicialmente considerado para uma nova adoção.
“Estamos realizados e felizes. Vamos continuar com todo esse legado de amor”, afirmou Rafael.
Para a secretária municipal de Assistência Social, Trabalho e Habitação, Zeila Cardoso, o caso chama atenção para adolescentes que permanecem por períodos prolongados nos serviços de acolhimento enquanto aguardam a possibilidade de integração a uma família.
“Muitos pensam que adoção é só para bebês e esquecem os adolescentes que esperam, às vezes por anos, por um lugar onde se sintam amados, acolhidos e pertencentes”, disse.
O Saica integra a estrutura da Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Habitação (Semasth) de Parintins.
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