17/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Defensoria do Amazonas apura retenção de macas do Samu em unidades de saúde estaduais

Publicado em 17 de agosto, 2026

Defensoria do Amazonas apura retenção de macas do Samu em unidades de saúde estaduais

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) instaurou um Procedimento Coletivo (PC) para apurar denúncias de retenção irregular de macas e outros equipamentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por hospitais de Manaus.

A prática é apontada como uma das causas da demora na liberação das ambulâncias para novos atendimentos de urgência e emergência na capital. A medida foi adotada após levantamento que identificou 1.623 ocorrências de retenção entre julho de 2025 e junho de 2026.

O Relatório Técnico Consolidado de Retenção de Macas e Equipamentos do Samu, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) a pedido da Defensoria, revela que macas, Red Block e colares cervicais permanecem retidos, em média, por 1 hora e 42 minutos nas unidades de saúde antes de voltarem a ficar disponíveis para novas ocorrências.

O coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), defensor público Arlindo Gonçalves, explica que a retenção compromete o fluxo de atendimento.

“A ambulância é acionada para atender uma ocorrência de urgência ou emergência, faz o resgate e leva o paciente ao hospital. No entanto, ela precisa aguardar a liberação da maca para voltar a ficar disponível, o que atrasa a liberação das ambulâncias para novas ocorrências e coloca em risco a saúde e a vida da população”, afirma.

Dados do relatório

O relatório aponta que 93,5% dos casos de retenção registrados entre 1º de julho de 2025 e 30 de junho de 2026 ocorreram em três hospitais de Manaus: 41,8% no Pronto-Socorro 28 de Agosto, 39,1% no João Lúcio e 12,6% no Platão Araújo.

O problema, contudo, também foi registrado em outras unidades de saúde de Manaus, entre elas o SPA Chapôt Prevost, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), o Centro de Saúde Mental do Amazonas, a UPA José Rodrigues e o PSC Zona Leste.

Também foram identificados casos nos SPAs Danilo Corrêa, Alvorada, Zona Sul, São Raimundo e Zona Norte; no PSC Zona Sul; nas maternidades Balbina Mestrinho, Chapôt Prevost, Ana Braga, Azilda Marreiro e Nazira Daou; na UPA Campos Sales; no Instituto de Medicina Tropical do Amazonas; e, inclusive, no Hospital Samel, da rede privada.

Recomendações da Defensoria

O coordenador do Nudesa destaca ainda que a retenção de macas pode resultar na responsabilização dos gestores das unidades.

“A retenção de macas é vedada pela Lei Estadual nº 6.495/2023, que prevê responsabilização direta do gestor da unidade. Além disso, a ausência de planejamento para evitar esse tipo de situação, em tese, pode configurar omissão de socorro, prevaricação e até improbidade administrativa”, afirma.

A Defensoria recomendou à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) que providencie, até o início de setembro, quantidade suficiente de materiais, eliminando a necessidade de utilização dos equipamentos das ambulâncias.

SES-AM

A SES-AM deverá ainda apresentar um planejamento para prevenir novas retenções, incluindo medidas para reduzir a superlotação, ampliar a rede de urgência e emergência e capacitar gestores das unidades de saúde.

Outra recomendação é a realização de um estudo técnico sobre a necessidade de ampliar a Rede de Atenção às Urgências e Emergências e os serviços de média complexidade, com o objetivo de enfrentar a insuficiência de leitos, apontada como uma das causas da retenção dos equipamentos.

À Semsa, a Defensoria requisitou informações sobre os impactos da retenção na assistência à população, incluindo eventual agravamento do estado de saúde de pacientes, indisponibilidade de ambulâncias e medidas adotadas em conjunto com a SES-AM para evitar novos casos.

A Semsa também deverá esclarecer a situação dos 1.295 registros de retenção que não informam por quanto tempo os equipamentos permaneceram retidos.

“A partir dessas recomendações, faremos ainda outras inspeções e acompanharemos a implementação dessas medidas, podendo haver ainda outras providências posteriores”, conclui o defensor público.

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