11/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Comissão aprova projeto de Amom que suspende cobrança do Fies em calamidades

Publicado em 02 de julho, 2026

Comissão aprova projeto de Amom que suspende cobrança do Fies em calamidades

Proposta permite interromper temporariamente o pagamento do financiamento estudantil para beneficiários atingidos por enchentes, secas e outros desastres reconhecidos pelo Governo Federal. (Foto: Divulgação)

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (1º), o Projeto de Lei nº 1.953/2024, que autoriza a suspensão temporária da cobrança do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em situações de calamidade pública reconhecidas pelo Governo Federal.

O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) é um dos coautores da proposta, apresentada em conjunto com os deputados Pedro Campos, Tabata Amaral, Duarte Jr. e Camila Jara.

O texto altera a Lei nº 10.260/2001 para estender a enchentes, secas, deslizamentos e outros desastres naturais a proteção que já havia sido adotada durante a pandemia da Covid-19.

Na prática, estudantes beneficiários do Fies poderão suspender, temporariamente, o pagamento das parcelas de amortização, dos juros e das multas enquanto durar a situação de calamidade.

Segundo os autores, a medida busca impedir que estudantes atingidos por desastres naturais tenham de enfrentar, ao mesmo tempo, a perda de renda e a cobrança do financiamento estudantil.

Impacto no Amazonas

Para Amom Mandel, o projeto ganha relevância especial no Amazonas, estado que convive anualmente com cheias e estiagens severas.

Em 2025, as enchentes atingiram mais de 530 mil pessoas e cerca de 133 mil famílias no Estado. A Defesa Civil também registrou 36 municípios em situação de emergência. No ano anterior, a estiagem levou o Governo do Amazonas a estimar impactos para aproximadamente 157 mil famílias.

Segundo o parlamentar, nessas circunstâncias, muitos estudantes perdem renda, enfrentam dificuldades de deslocamento e precisam reorganizar a vida antes de retomar a rotina acadêmica.

“Quem está no Fies geralmente já vem de uma família que fez conta, sacrifício e renúncia para garantir o diploma. Quando uma calamidade pública atravessa esse caminho, o mínimo que o Estado pode fazer é não transformar o financiamento em mais uma punição. Esse projeto dá tempo para o estudante se reerguer sem abandonar o futuro”, afirmou.

Proteção aos estudantes

O Fies é um programa federal destinado ao financiamento de cursos superiores em instituições privadas com avaliação positiva do Ministério da Educação. Conforme as regras atuais, o programa pode financiar até 100% das mensalidades, de acordo com a renda familiar do estudante.

A discussão ocorre em meio ao elevado índice de inadimplência do programa. Neste ano, o Governo Federal abriu uma nova etapa do Desenrola Fies, voltada à renegociação de contratos firmados até 2017. Os descontos podem chegar a 99% da dívida.

O projeto também foi motivado pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Na ocasião, estudantes afetados dependeram da aprovação de legislação específica para obter a suspensão das cobranças.

Pela proposta, terão direito ao benefício estudantes adimplentes ou com atraso de até 180 dias no pagamento das parcelas, contados até o reconhecimento oficial da calamidade pública. Caso seja transformada em lei, a medida terá aplicação imediata.

“O Estado precisa estar preparado antes que a tragédia aconteça. Suspender temporariamente a cobrança do Fies é proteger a educação, a renda e a dignidade de quem está tentando recomeçar”, disse Amom.

O parecer favorável foi apresentado pelo deputado Dagoberto Nogueira (PP-MS). Após a aprovação na Comissão de Educação, o projeto segue para análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Tags: Amom Mandel, Fies, Câmara dos Deputados, educação, calamidade pública, enchentes, Amazonas, estudantes, financiamento estudantil, Projeto de Lei 1953/2024

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