28/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Caprichoso transforma Bumbódromo em uma grande floresta ao cantar a Amazônia como chão da vida

Publicado em 28 de junho, 2026

Foto: Elinaldo Tavares

PETA CID
Especial para o Portal do Marcos Santos

Em noite apoteótica na segunda apresentação no Bumbódromo, o Boi Caprichoso se mostrou como brinquedo ancestral para cantar a Amazônia, chão da vida, o território vivo, habitado por humanos e não humanos, ancestrais, encantados e espíritos guardiões.

O bumbá chegou com um conjunto folclórico que coloriu a arena, desde a Marujada com chapéus iluminados e seus tambores da vida até os corpos cênicos que formaram uma verdadeira floresta com muito verde e o colorido da Amazônia.

O apresentador Edmundo Oran, o Levantador Patrick Araújo e o amo Caetano Medeiros, comandaram a festa.

A lenda do Curupira abriu as cenas e chegou como força ancestral de proteção e resistência, guardião dos caminhos da mata e defensor da Amazônia viva de pé. A alegoria de Roberto Reis a agigantou na arena, em um espetáculo que levou a galera ao delírio.

Foto: Elinaldo Tavares

A Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso, Marciele Munduruku surgiu na alegoria como a Yamandacy, guardiã do chão Amazônia, tornando-se uma voz viva da ancestralidade, da luta e da força dos povos originários. Em plena arena, ela se transformava, ora em onça pintada, ora em onça presta, numa evolução irretocável.

Módulos alegóricos coloridos com a exuberância da floresta e dos pássaros da Amazônia trouxeram o Boi Caprichoso e a Sinhazinha da Fazenda Valentina Cid que representou o voo da vida com um vestido que trazia um beija-for. Em momentos da coreografia, o pássaro batia as asas em mais um show de interpretação, iluminando a arena com doçura e delicadeza.

Nesta noite, a Vaqueirada assumiu a condição de guardiã da floresta e dos princípios do Bem Viver. Os vaqueiros representaram o “Revoar da Liberdade”, defensores da vida amazônica, daqueles que compreendem que proteger a floresta é proteger também os seres, os saberes e as riquezas naturais que nela habitam.

As lanças foram inspiradas na exuberância das espécies da biodiversidade da floresta, como as borboletas.

Foto: Elinaldo Tavares

O Pescador, uma das mais emblemáticas Figuras Típicas da Amazônia foi apresentada em um conjunto alegórico do fantástico amazônico que trouxe a rainha do folclore, Cleise Simas como a deusa dos encantamentos. Cleise encenou com homens botos e fez uma evolução envolvente. A alegoria foi assinada por Márcio Gonçalves.

A apresentação do item tuxaua teve um significado especial com as morubixabas Ira Maragua, Kaila Hexkaryana se juntando a Lup Moara, a primeira tuxaua Trans do Festival, que mostraram a expressão viva do protagonismo feminino indígena na Amazônia. Elas fizeram a dança cerimonial Yusaruasá, senhoras da luta.

Com a exaltação cultural “Festa do Povo da Floresta, o Caprichoso exaltou o povo de Norte, sua gente e suas danças, Carimbó do Pará, o Cacuriá do Maranhão, o Samba de Couro de Rondônia, o Marabaixo do Amapá, o Congo do Tocantins, o Parixará de Roraima e o Boi-Bumbá do Amazonas como expressão da cultura nortista em todo seu território. O momento cultural trouxe a porta-estandarte Marcela Marialva que conduziu não apenas o estandarte, mas os sonhos tecidos pelas mãos do povo Caprichoso.

Foto: Elinaldo Tavares

Uma homenagem ao poeta Ronaldo Barbosa, nos versos do amo do Boi, Caetano Medeiros, levou emoção e lágrimas. No dia anterior, a participação especial do antigo amo Rei Azevedo, também marcou a apresentação do amo. Ronaldo Barbosa é um ícone da nação azulada, compositor de toadas imortalizadas.

O ritual indígena de Transcendência Asurini – Maraká, do Xingu, do artista Kenedy Prata, expressou uma concepção ancestral de mundo na qual saúde, equilíbrio e prosperidade dependem da harmonia entre seres humanos, natureza e espiritualidade. Uma grande oca se abriu na arena trazendo o pajé do bumbá.

Neste momento, Erick Beltrão, Pajé do Boi Caprichoso, se inspirou na concepção cosmológica do povo Asurini do Xingu, onde os espíritos guardiões ocupam uma posição fundamental na manutenção do equilíbrio entre o mundo humano e o mundo espiritual. Entre esses seres está o espírito do Porco do Mato (Tazaho), entidade evocada nos rituais propiciatórios para atrair proteção, fartura, boa vontade e o favor das forças espirituais que regem a vida coletiva.

Foto: Elinaldo Tavares

Na representação ritualística de Erick Belttrão, a presença do espírito guardião do Porco do Mato (Tazaho) entidade evocada para atrair proteção, fartura, boa vontade e favor das forças espirituais que regem a vida coletiva.

O Caprichoso deixou o Bumbódromo de forma apoteótica, em mais um espetáculo conduzido por seus integrantes como o diretor de arena, Edwan Oliveira. “Dever cumprido, sentimento de satisfação porque nós sabemos o quanto a galera está feliz. O Caprichoso está alegre, apoteótico e brincando de boi. Nossa missão é fazer grande espetáculo e o boi está insuperável”, avaliou.

O presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, avaliou como uma noite maravilhosa. “A gente sai de alma lavada da arena, tudo fluiu bem, Caprichoso honrando o tema que fala de brincadeira e veio mais uma vez brincar de boi, cantar nossas toadas e exaltar a Amazônia”, disse.

Foto: Elinaldo Tavares

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Foto: Elinaldo Tavares

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Foto: Elinaldo Tavares

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