21/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Festival de Parintins projeta a brasilidade da Amazônia

Publicado em 21 de junho, 2026

Festival de Parintins projeta a brasilidade da Amazônia

Presidentes de Garantido e Conselho de Arte do Caprichoso analisam como a festa traduz a identidade cultural amazônica (Fotos: Nathalie Brasil e Paulo Vinícius)

PARINTINS – Realizado no último fim de semana de junho, o Festival de Parintins se consolidou como uma das maiores manifestações culturais do país. Para além da disputa entre Caprichoso e Garantido, o espetáculo reúne referências indígenas, africanas e europeias em uma narrativa que projeta a identidade amazônica para o Brasil.

No Bumbódromo, durante três noites, mitos, lendas, saberes ancestrais e a realidade dos povos indígenas, ribeirinhos e caboclos ganham forma em alegorias, coreografias, toadas e encenações. O resultado é um espetáculo que combina música, teatro e artes plásticas em uma linguagem própria.

Para o presidente do Boi Garantido, Fred Góes, o Festival representa a cultura brasileira em sua essência por reunir diferentes matrizes culturais em uma mesma manifestação.

Segundo ele, a diversidade que caracteriza a formação do Brasil se expressa de forma ainda mais intensa na Amazônia. Fred avalia que o Festival ajuda a retirar a região da invisibilidade cultural e a projetar sua identidade para todo o país.

“O boi-bumbá incorpora elementos de várias regiões do Brasil e de diferentes povos que ajudaram a formar a sociedade brasileira. Tudo isso é ressignificado dentro da realidade amazônica”, afirma.

Fred destaca que o espetáculo é resultado de meses de pesquisa, debates e construção de narrativas. O objetivo, segundo ele, é transformar em linguagem artística temas ligados à história, à cultura amazônica e a questões universais.

Já o presidente do Conselho de Arte do Caprichoso, Ericky Nakanome, prefere definir o Festival como um reflexo da brasilidade, e não como uma síntese completa do país.

Para ele, as matrizes indígenas, africanas e europeias aparecem de forma marcante nos itens, nas temáticas e nas toadas. No entanto, nem todas as influências que compõem a identidade brasileira estão representadas com a mesma intensidade.

Nakanome observa que a formação cultural amazônica recebeu contribuições de diversos povos ao longo da história. Entre elas estão os fluxos migratórios impulsionados pelo ciclo da borracha, que ampliaram a diversidade da região.

Ele define o boi-bumbá como um arquétipo coletivo capaz de representar o povo amazônico e suas múltiplas origens. Essa identidade, segundo ele, se manifesta na estética visual, musical e narrativa apresentada na arena.

“O festival traduz, acima de tudo, a identidade do povo do Norte. É uma brasilidade construída a partir da Amazônia, viva, diversa e em constante transformação”, afirma.

Fred Góes também destaca que a arte produzida em Parintins nasce da combinação entre a herança indígena e as influências trazidas por missionários, viajantes e outros grupos que passaram pela região ao longo dos séculos.

Para ele, essa diversidade ajudou a formar gerações de artistas responsáveis pela construção do espetáculo que hoje atrai milhares de visitantes e espectadores em todo o país.

“Parintins reflete o Brasil naquilo que ele tem de mais verdadeiro, que é a diversidade. O Festival é um espaço de identidade, reflexão e valorização cultural”, conclui.

Veja mais notícias em Parintins

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.