
Máquinas pesadas, guindastes, a logística moderna do Festival de Parintins
Por trás de um espetáculo que encanta milhares de pessoas na arena do Bumbódromo, existe uma verdadeira operação de grande porte. O Festival de Parintins deixou de ser apenas uma manifestação cultural e se transformou em uma grande operação logística, comparável a uma indústria criativa que envolve planejamento, tecnologia de informação, visual e trabalho coordenado.
Caminhões cruzam estradas transportando materiais. Balsas levam estruturas gigantescas pelos rios até Parintins. Toneladas de ferro, tecidos e equipamentos são movimentados para que cada apresentação aconteça com perfeição.
As equipes se comunicam em tempo real por rádio, aplicativos e sistemas de monitoramento, acompanhando o deslocamento das cargas e coordenando cada etapa da montagem. É a tradição caminhando lado a lado com a inovação.
No Boi Garantido, a tradição continua sendo a essência, mas a tecnologia e a profissionalização dos processos passaram a fazer parte do espetáculo vermelho e branco. Segundo o vice-presidente do boi Marialvo Brandão, 54, a agremiação vive um novo momento, com investimentos em planejamento, logística e capacitação das equipes.
Desde a fase de criação, o Garantido já utiliza recursos tecnológicos como projeções em 3D, que permitem visualizar as alegorias em movimento dentro do espaço do Bumbódromo, antes mesmo da construção. O estudo técnico também envolve equipamentos de içamento, articulações mecânicas, operações com guindastes e análise dos raios de projeção das estruturas.
“Estamos profissionalizando cada vez mais o nosso espetáculo, mas sem abrir mão das nossas raízes e da nossa essência. A tecnologia entra para dar suporte à apresentação, nunca para substituir o trabalho artístico e artesanal, que é a alma do boi”, destacou.
Em 2026, o Garantido mantém uma média de 200 módulos alegóricos transportados até a arena. A distância superior a dois quilômetros entre os galpões e o Bumbódromo exige uma complexa operação logística, que envolve aproximadamente 300 trabalhadores, máquinas pesadas, segurança e investimentos em sistemas de deslocamento das estruturas.
De acordo com Marialvo, somente o translado das alegorias representa um custo superior a R$ 2,5 milhões nesta temporada. “As alegorias são construídas em módulos e chegam fragmentadas à concentração para serem montadas. A estrutura mais alta deste ano alcança 25 metros. Se nós tivéssemos essa receita a mais, se nós tivéssemos estacionado aqui na frente do Bumbódromo, de igual para igual, a gente classifica que o Garantido seria uma potência”, ressalta.
Para garantir a montagem das alegorias, o Garantido contratou uma operação que reúne cerca de 800 toneladas em equipamentos, entre guindastes, plataformas articuladas, empilhadeiras e caminhões munck.
A estratégia prevê a montagem simultânea de quatro alegorias, com equipes trabalhando em dois turnos. Das 15 alegorias que irão para a arena, três ainda permanecem em fase final de produção nos galpões. “Hoje, o espetáculo é cinquenta por cento alegoria e cinquenta por cento humano. Estamos construindo um novo Garantido, mais profissional, mas sempre respeitando nossa história e nossa tradição”, afirmou Marialvo.
Com tecnologia, planejamento e a força de centenas de trabalhadores, o Boi Garantido aposta em um espetáculo grandioso para o Festival de Parintins 2026.

A evolução tecnológica tem se tornado uma importante aliada do Boi Caprichoso na construção de um espetáculo cada vez mais grandioso e eficiente. Sem perder as raízes culturais que fazem a essência do boi da estrela azul, a agremiação investe em equipamentos, planejamento e sistemas de comunicação para garantir excelência dentro da arena do Bumbódromo.
De acordo com o conselheiro de arte, Zandonaide Bastos, o planejamento para o Festival de 2026 ultrapassou a marca de 630 toneladas em equipamentos, destinados à montagem das alegorias e ao suporte das apresentações.
Entre os equipamentos estão o guindaste AC 500, com cerca de 160 toneladas de contrapesos, plataformas articuladas de 22 e 40 metros, máquina multifuncional, dois guindastes RT 80, empilhadeira de 11 toneladas e caminhão munck, operados por uma equipe de 22 profissionais especializados.
A logística também envolveu duas balsas, seis carretas e três cavalos mecânicos para transportar toda a estrutura até Parintins, contando com o apoio do Grupo Chibatão e da empresa Tomiasi Logística de Projetos.
Além dos equipamentos pesados, o Caprichoso utiliza ferramentas de planejamento, controle de tempo e acompanhamento técnico dos ensaios para garantir que cada momento do espetáculo aconteça dentro dos limites estabelecidos pelo regulamento.
A comunicação entre as equipes é feita por meio de rádios, permitindo integração entre os diretores, os responsáveis pela logística, segurança e operação das alegorias. Todo o processo é coordenado em tempo real para assegurar sincronia e agilidade nas apresentações.
Para Zandonaide, a tecnologia não substitui a tradição, mas potencializa o trabalho artístico desenvolvido pelo boi. “A tecnologia veio para melhorar os processos, dar mais segurança e criar novas possibilidades visuais para o espetáculo, sem que o Caprichoso perca sua identidade cultural e suas raízes”, destacou.
Com planejamento, inovação o Boi Caprichoso segue apostando na união entre arte e tecnologia para surpreender o público no Festival de Parintins 2026.
Texto : Josene Araújo
Especial para Portal Marcos Santos