
Foto: Oliver Freire
Oliver Freire
Especial para o Portal do Marcos Santos
Quem passa pela Rua Armando Prado encontra muito mais do que bandeirolas vermelhas e brancas balançando. Ali, a ornamentação que colore a rua durante o Festival de Parintins carrega histórias, afetos e uma homenagem que atravessa gerações.
Há mais de duas décadas, moradores, amigos e familiares se reúnem para transformar o trecho em um cenário de celebração ao Boi Garantido. O que para muitos é apenas decoração, para a família do compositor Braulino Lima representa um gesto de gratidão e reconhecimento à trajetória de um dos nomes que ajudaram a escrever a história do boi da Baixa do São José.
Filha de Braulino, Marinilda Simas é uma das responsáveis por manter viva a tradição. Entre fitas, tecidos e enfeites confeccionados pelos próprios moradores, ela coordena os preparativos que todos os anos antecedem a passagem do tradicional cortejo do Garantido.
“Já temos mais de 20 anos fazendo essa ornamentação. Tudo começou por causa da tradição do Garantido passar no dia 12 de junho, Dia de Santo Antônio. Mas também é uma forma de homenagear o meu pai, Braulino Lima, compositor da toada Tic, Tic, Tac”, conta.

Foto: Oliver Freire
A música, que ultrapassou as fronteiras da ilha e ganhou projeção nacional e internacional, continua sendo um dos motivos de orgulho e ligação da família com o boi encarnado.
A preparação mobiliza moradores de diferentes gerações. A comunidade coloca a criatividade para funcionar e transforma o espaço em um verdadeiro cartão-postal do período bovino.

Foto: Oliver Freire
O sentimento que move a ornamentação vai além da disputa entre ruas ou do concurso promovido durante o festival. Para Marinilda, o principal combustível continua sendo a história construída por seu pai dentro do Garantido.
Parceiro do fundador Lindolfo Monteverde e participante ativo da trajetória do boi desde a juventude, Braulino ajudou a construir capítulos importantes da cultura popular parintinense. Hoje, aos 87 anos, continua acompanhando de perto as homenagens recebidas.
“Ele sempre pede que façam homenagens em vida. E para mim isso é muito importante. Tudo que eu puder fazer pelo meu pai enquanto ele está aqui, eu vou fazer. Depois que a pessoa se vai, ela não consegue mais ver esse reconhecimento”, destacou.

Foto: Oliver Freire
Enquanto o Festival de Parintins se aproxima, as bandeirolas penduradas representam não apenas a paixão pelo Boi Garantido, mas também o desejo de manter viva a história daqueles que ajudaram a construir a identidade cultural da ilha tupinabarana.
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