03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ambulantes encontram no Festival de Parintins oportunidade de transformar renda em esperança

Publicado em 14 de junho, 2026

Foto: Oliver Freire

Oliver Freire
Especial para o Portal do Marcos Santos

Enquanto os holofotes se voltam para a arena do Bumbódromo, onde Caprichoso e Garantido protagonizam um dos maiores espetáculos culturais do país, centenas de trabalhadores encontram nas ruas de Parintins uma oportunidade igualmente importante: assegurar uma renda extra capaz de transformar a realidade de suas famílias.

Durante o período do Festival de Parintins, a economia da ilha ganha um novo ritmo. Hotéis lotados, restaurantes movimentados e ruas cheias de visitantes criam um cenário favorável para quem vive do comércio informal. Entre vendedores de alimentos, bebidas, artesanato e diversos outros produtos, cada venda representa mais do que lucro: representa a possibilidade de realizar sonhos.

Há quatro anos morando em Parintins, o vendedor de churros Edmilson Ferreira já aprendeu a esperar ansiosamente pela chegada do festival. Instalado próximo à Catedral de Nossa Senhora do Carmo, ele observa o movimento aumentar a cada dia e comemora os resultados que a temporada traz para o seu negócio.

“A renda da gente triplica, quadriplica. A cidade praticamente dobra de quantidade de pessoas. Então, a gente aproveita essa festa para comprar algumas necessidades que temos e realizar alguns sonhos”, conta.

Para Edmilson, o Festival de Parintins representa muito mais do que alguns dias de intenso trabalho. “O festival é uma coisa que você espera o ano todo. Mesmo que seja um sonho pequeno, você consegue realizar trabalhando durante esse período”, afirma.

Curiosamente, apesar de trabalhar tão próximo da festa, ele raramente consegue acompanhar o espetáculo dentro da arena. Enquanto milhares de torcedores vibram nas arquibancadas, Edmilson permanece do lado de fora, atendendo quem chega e quem sai do Bumbódromo.

“A gente fica na área de movimento, onde as pessoas vão e voltam da arena. O trabalho não deixa muito tempo para acompanhar”, diz.

Foto: Oliver Freire

A poucos quilômetros dali, o parintinense Antônio dos Santos, de 66 anos, também vê no festival uma oportunidade de reforçar a renda da família. Vendendo gelo desde 1988, ele conhece como poucos as transformações que a festa provoca na cidade: “É quando a gente ganha um dinheiro a mais”, explica.

“Na minha juventude eu estava lá dentro, pulando e fazendo o que os outros estão fazendo agora. Hoje, por causa da família para sustentar eu parei. Agora tenho que estar na venda do gelo”, conta, sorrindo.

O trabalho durante o festival se soma à rotina que ele mantém ao longo do ano em uma fábrica de gelo. E, embora prefira não revelar valores, faz questão de destacar a importância desse rendimento complementar: “Eu acredito que seja um décimo quarto salário”, afirma.

O dinheiro ajuda a pagar contas, realizar pequenas reformas e adquirir algo novo para a casa. São melhorias que fazem diferença no cotidiano da família e que muitas vezes só se tornam possíveis graças ao movimento econômico gerado pelo festival.

Histórias como as de Edmilson e Antônio revelam uma face muitas vezes invisível do Festival de Parintins. Além do espetáculo grandioso que encanta turistas e movimenta a cultura amazonense, a festa também impulsiona a microeconomia local, beneficiando trabalhadores que encontram no aumento do fluxo de visitantes uma chance de melhorar a qualidade de vida.

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