19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

ONU classifica proteção de crianças no ambiente digital como ‘prioridade urgente’ para os países

Publicado em 29 de maio, 2026

ONU classifica proteção de crianças no ambiente digital como ‘prioridade urgente’ para os países

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou nesta sexta-feira (29) que proteger crianças e adolescentes no ambiente digital virou uma “prioridade urgente” e cobrou regras mais rígidas para empresas de tecnologia e governos.

Segundo o órgão, embora a internet ajude crianças e adolescentes a estudar, aprender e se conectar, ela também amplia a exposição a riscos ligados à privacidade, segurança e saúde mental.

O alerta foi feito pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. Em comunicado, ele afirmou que os danos causados pelas redes sociais e outras plataformas digitais “não são inevitáveis”, mas resultado de escolhas feitas pelas empresas de tecnologia.

“Os danos online à segurança, privacidade e bem-estar das crianças não são inatos ou inevitáveis; eles resultam de escolhas de design e práticas comerciais que comprometem a segurança”, disse Türk.

Recursos

Entre os exemplos citados estão recursos considerados viciantes, como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e notificações constantes de aplicativos. Para o representante da ONU, esse modelo aumenta a exposição de menores a conteúdos nocivos e faz com que crianças e adolescentes passem mais tempo conectados.

“Aprimorar a proteção das crianças online é uma prioridade urgente que precisamos garantir não apenas que seja feita, mas que seja feita da maneira correta”, afirmou.

Junto do alerta, a ONU divulgou uma série de orientações para tornar o ambiente digital mais seguro sem comprometer os direitos de crianças e adolescentes. O documento afirma que proibições amplas de redes sociais para menores de idade não resolvem o problema por si só. Na avaliação do órgão, limitar o acesso sem exigir mudanças das plataformas pode ser insuficiente e até empurrar crianças para ambientes digitais menos monitorados.

Entre as principais recomendações divulgadas pela ONU estão:

• tornar aplicativos e redes sociais mais seguros desde a criação;

• reduzir recursos considerados viciantes, como rolagem infinita, reprodução automática e notificações constantes;

• reforçar a proteção de dados de crianças e adolescentes;

• exigir avaliações sobre os impactos das plataformas no público infantil;

• criar sistemas mais seguros para verificar a idade dos usuários;

• direcionar restrições de idade para riscos específicos, como conteúdos nocivos e jogos de azar;

• incluir crianças e adolescentes nas discussões sobre regras e funcionamento das plataformas;

• ampliar a transparência sobre algoritmos e moderação de conteúdo;

• fortalecer a fiscalização e as punições para empresas que descumprirem as regras;

• ampliar pesquisas e coleta de dados para atualizar as medidas de proteção.

Alerta

A ONU também alertou que sistemas de verificação de idade mal implementados podem colocar em risco a privacidade tanto de crianças quanto de adultos.

Segundo o documento, cabe aos governos criar regras mais eficazes e ampliar a fiscalização das plataformas, enquanto as empresas de tecnologia devem adotar mecanismos de segurança desde o desenvolvimento dos produtos e serviços.

O debate sobre restrições de idade no ambiente digital ganhou força depois que países como Austrália, Indonésia e Malásia passaram a adotar ou discutir limites para o uso de redes sociais por menores. Mais de dez países avaliam medidas semelhantes.

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