02/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Acordo para ampliar comércio será negociado entre Brasil e Suriname

Publicado em 28 de maio, 2026

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Brasil e Suriname vão iniciar negociações, a partir do segundo semestre, para ampliar o acordo de comércio entre os dois países e estimular novas oportunidades de negócios.

A aproximação foi um dos focos do encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente surinamesa, Jennifer Geerlings-Simons, ocorrido nesta quinta-feira (28), em Brasília. Eleita no ano passado e com mandato até 2030, Simons é a primeira mulher a presidir o país vizinho.

“Nosso comércio ainda é muito pequeno e concentrado em poucos produtos. Em 2025, foi de apenas 55 milhões de dólares, ou seja, quase nada. O único acordo comercial que temos é extremamente restrito. Com esta visita, conseguimos aprovar termos de referência para aumentar os fluxos entre Brasil e Suriname”, afirmou Lula em declaração conjunta à imprensa, no Palácio do Itamaraty.

O comércio bilateral inclui maquinários, material elétrico, produtos da indústria química e commodities, e quase a totalidade é composta por exportações brasileiras. Segundo Lula, as negociações devem ampliar as medidas de facilitação do comércio e incluir novos setores.

A programação da delegação do Suriname em Brasília prevê uma reunião empresarial de representantes de entidades brasileiras com empresas e representantes do setor produtivo surinamês, das áreas de energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações.

Petróleo e minerais críticos

Nos últimos anos, o Suriname descobriu gigantescas reservas de petróleo offshore, na região conhecida como Bacia da Guiana, no Oceano Atlântico, o que deve impulsionar a economia do país nos próximos anos.

Em 2024, a Petrobras e a estatal surinamesa Staatsolie firmaram acordos para intercâmbios sobre petróleo, energias renováveis e segurança nas atividades de exploração de hidrocarbonetos. Lula lembrou também que, assim como o Brasil, o Suriname se sobressai pelo potencial em minerais críticos, fundamentais na fabricação de componentes eletrônicos de equipamentos de alta tecnologia.

“Temos a oportunidade de cooperar em mineração sustentável, industrialização local e agregação de valor, contribuindo para superar modelos históricos baseados apenas na exportação de matérias-primas”, disse o presidente.

Segurança alimentar

Outra frente bilateral importante é sobre agricultura e produção de alimentos. “O Brasil pode contribuir muito para a segurança alimentar e nutricional dos surinameses, com o fornecimento de carne bovina, suína e de aves, e outros gêneros alimentícios”, destacou Lula.

A cooperação técnica e científica entre os dois países também foi objeto de acordos e memorandos de entendimento assinados durante o encontro.

A agenda de Jennifer Geerlings-Simons em Brasília incluirá, ainda essa semana, uma visita a uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Embrapa), para intercâmbio sobre capacidades em agricultura familiar, segurança alimentar e sistemas agroflorestais sustentáveis.

“Para o Suriname, baixar os custos da comida e garantir segurança alimentar permanecem algo crítico, e temos certeza que Brasil é um parceiro que podemos confiar para nos ajudar nisso”, afirmou Simons.

Programas sociais

A presidente do Suriname também conhecerá de perto uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), porta de entrada dos programas sociais do governo brasileiro, e um empreendimento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que pode servir de inspiração para um modelo que Simons pretende levar ao país vizinho.

“Acho que nós concordamos que a principal tarefa de todo político é assegurar que as pessoas possam alcançar o nível mais elevado de vida, de bem-estar. Além disso, discutimos questões de desenvolvimento regional e reafirmamos nosso compromisso compartilhado de assegurar a democracia e a integração regional”, acrescentou a líder do Suriname.

Acordos assinados

Ao todo, Lula e Simons assinaram 13 acordos de cooperação, em setores como segurança cibernética, cooperação policial, combate ao tráfico de pessoas, saúde pública, manejo integrado do fogo, segurança de barragens hidrelétricas e operações militares coordenadas na faixa de fronteira amazônica.

Os governos de Brasil e Suriname também discutiram medidas para ampliar as conexões marítimas e aéreas entre os países e avançar no chamado “Anel das Guianas”, projeto de integração que conecta o Norte do Brasil à Guiana, ao Suriname e à Guiana Francesa, facilitando o acesso ao mercado caribenho e fortalecendo a infraestrutura regional.

Agência Brasil

Veja mais notícias em Economia

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.