30/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

STF, CNJ e MPAM repudiam charge da Folha após morte de juíza que sonhava em ser mãe

Publicado em 10 de maio, 2026

STF, CNJ e MPAM repudiam charge da Folha após morte de juíza que sonhava em ser mãe

A publicação de uma charge pelo jornal Folha de S.Paulo provocou forte reação de instituições do sistema de Justiça após utilizar a imagem de uma lápide para ironizar a remuneração da magistratura brasileira. O desenho, divulgado neste sábado (9), trazia a frase “Vidinha mais ou menos, até perdê-la junto dos penduricalhos” e foi publicado poucos dias após a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).

A magistrada, de 34 anos, morreu na última quarta-feira (6), após complicações decorrentes de um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro, realizado como parte do projeto pessoal de engravidar. A repercussão foi ampliada por a publicação ter ocorrido na véspera do Dia das Mães.

Pesar

Em nota oficial, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manifestaram pesar pela morte da juíza e afirmaram que, embora a liberdade de imprensa e o direito à crítica sejam pilares fundamentais da democracia, tais garantias devem estar associadas à responsabilidade ética e à sensibilidade diante de situações de luto.

O presidente do STF e do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, afirmou que determinadas manifestações públicas ultrapassaram os limites da crítica institucional legítima e passaram a contribuir para um ambiente de desmoralização contínua das instituições judiciais.

“Quando o discurso público abandona a medida, a sobriedade e a consciência dos limites civilizatórios, instala-se um processo corrosivo que empobrece a convivência democrática”, destacou o ministro em trecho da nota.

Repúdio

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) também divulgou manifestação de repúdio à charge, classificando a publicação como inadequada, insensível e desrespeitosa. O órgão destacou que a morte da magistrada exige humanidade e empatia, especialmente diante da dor enfrentada por familiares, amigos e colegas de profissão.

Na nota, o MPAM ressaltou que o episódio gerou comoção nacional, principalmente entre mulheres que convivem diariamente com os desafios de conciliar carreira, responsabilidades institucionais e projetos de vida pessoal e familiar.

“O MPAM reafirma seu compromisso com a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e o direito à crítica, pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito. Contudo, tais garantias não podem ser dissociadas do dever de sensibilidade e respeito à dignidade humana”, destacou o órgão.

Exposição sem respeito

O Ministério Público do Amazonas também afirmou que a banalização do sofrimento humano e a exposição desrespeitosa da memória da juíza contribuem para formas recorrentes de violência simbólica contra mulheres em espaços profissionais e institucionais.

Além do STF, CNJ e MPAM, entidades como a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) também divulgaram notas públicas de repúdio. As instituições afirmaram que a charge ultrapassou os limites do debate crítico ao transformar um momento de luto em alvo de ironia e escárnio.

As entidades reiteraram solidariedade à família da magistrada e defenderam a preservação da dignidade humana, do respeito institucional e da civilidade no debate público.

Tags: , ,

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.