
Letícia Carvalho comanda Autoridade Interancional dos Fundos Marinhos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A oceanógrafa Letícia Carvalho está à frente de uma das principais discussões ambientais e econômicas da atualidade: a criação de regras internacionais para exploração mineral no fundo do mar. Desde 2025, a brasileira ocupa o cargo de secretária-geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, organismo ligado à ONU responsável pela gestão de áreas oceânicas fora das jurisdições nacionais.
Com sede em Kingston, a entidade coordena negociações para concluir o chamado Código de Mineração, conjunto de normas que irá regulamentar a extração comercial de minerais em águas profundas. A expectativa é que os países membros avancem na conclusão do texto ainda este ano, durante reuniões previstas para junho e julho.
Segundo Letícia Carvalho, o processo de construção das regras já dura mais de dez anos e busca equilibrar interesses econômicos com proteção ambiental. A regulamentação deve definir critérios para exploração sustentável em uma área que representa cerca de 54% dos oceanos do planeta.
A dirigente explicou que, até agora, os trabalhos da autoridade se concentraram em pesquisas científicas, estudos de viabilidade econômica e análises ambientais. A próxima etapa prevê a autorização de atividades comerciais em regiões localizadas entre 2 mil e 11 mil metros de profundidade.
De acordo com a brasileira, a mineração em águas profundas desperta interesse internacional por concentrar minerais considerados estratégicos para setores industriais e tecnológicos, incluindo a transição energética. Ao mesmo tempo, ela afirma que as atividades precisam seguir rígidos protocolos ambientais para evitar impactos irreversíveis nos ecossistemas marinhos.
Além dos minerais, as áreas oceânicas administradas pela autoridade também concentram biodiversidade, recursos pesqueiros e cabos submarinos responsáveis pela transmissão de dados e telecomunicações em escala global.
Durante a gestão da brasileira, a ISA também ampliou iniciativas voltadas à preservação ambiental e ao armazenamento de dados científicos. Um dos projetos em andamento é a criação de um biobanco internacional para conservar amostras biológicas e sedimentares coletadas em expedições de pesquisa no fundo do mar.
Primeira mulher, primeira cientista e primeira latino-americana a ocupar o cargo máximo da autoridade internacional, Letícia Carvalho afirmou que pretende fortalecer a participação feminina nos debates sobre governança oceânica e ampliar a presença de mulheres em áreas historicamente dominadas por homens, como diplomacia marítima e atividades embarcadas.
Agência Brasil
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