
Federação avalia que novo cenário internacional pode ampliar exportações sustentáveis do Amazonas e fortalecer a bioeconomia (Foto: CNA/Felipe Rosa/Sistema Faea Senar)
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA) avalia que a entrada em vigor provisória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, iniciada em 1º de maio de 2026, abre uma nova perspectiva para o agronegócio brasileiro e para as cadeias produtivas sustentáveis do Amazonas.
Na avaliação da entidade, o novo cenário internacional representa uma oportunidade histórica para ampliar a inserção dos produtos amazônicos no mercado europeu, especialmente aqueles ligados à sustentabilidade, à bioeconomia e à produção com valor agregado.
Com a redução gradual de tarifas e a ampliação da abertura comercial, produtos como café, cacau, açaí, guaraná, castanha, pescado manejado e óleos vegetais passam a ter ambiente mais favorável para exportação.
O presidente da FAEA, Muni Lourenço, destacou que o Amazonas possui diferenciais competitivos ligados à preservação ambiental e à biodiversidade.
“Em um mercado europeu cada vez mais exigente em relação à rastreabilidade e às práticas sustentáveis, o estado pode transformar sua biodiversidade em vantagem econômica, fortalecendo modelos produtivos alinhados à conservação florestal”, afirmou.
A Federação entende que terá papel estratégico na preparação dos produtores rurais e das cadeias produtivas amazonenses para atender às novas exigências internacionais.
Entre as prioridades apontadas pela entidade estão o fortalecimento da assistência técnica, a capacitação de produtores, a regularização ambiental e fundiária, além da ampliação do acesso à tecnologia e às certificações exigidas pelo mercado europeu.
A FAEA também avalia que o acordo tende a estimular investimentos em agroindustrialização e agregação de valor, considerados fundamentais para o desenvolvimento econômico regional.
A expectativa é ampliar não apenas a exportação de matéria-prima, mas também a comercialização de produtos processados e diferenciados, elevando renda, competitividade e geração de empregos no interior do Amazonas.
Segundo Muni Lourenço, o crescimento da produção de café robusta amazônico em municípios do sul do Estado simboliza o potencial competitivo da região diante do novo cenário comercial.
Com o acordo, a expectativa é de aumento da competitividade do produto brasileiro no mercado europeu, abrindo espaço para valorização dos cafés especiais produzidos no Amazonas.
Ao mesmo tempo, a Federação reconhece desafios importantes para o setor, especialmente relacionados às exigências sanitárias e ambientais da União Europeia, que devem ampliar a pressão por rastreabilidade, controle de origem e cadeias produtivas livres de desmatamento.
A entidade também alerta para os gargalos logísticos históricos do Amazonas, considerados entraves para ampliar a competitividade internacional dos produtos regionais.
Para Muni Lourenço, será necessária uma integração entre setor produtivo, instituições e poder público para que o Amazonas consiga aproveitar plenamente as oportunidades abertas pelo acordo comercial.
“O momento exige planejamento, investimento em inovação e fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis. Mais do que um acordo comercial, o novo cenário internacional representa uma oportunidade para consolidar o Amazonas como referência em um agronegócio sustentável, moderno e conectado às demandas globais do futuro”, ressaltou.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disponibilizou um guia com informações sobre cotas e tarifas do acordo Mercosul-União Europeia.
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