19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Caso Benício: médica negociava produtos enquanto criança agonizava em hospital de Manaus

Publicado em 04 de maio, 2026

Caso Benício: médica negociava produtos enquanto criança agonizava em hospital de Manaus

Investigação aponta overdose por erro na aplicação de adrenalina e indica possível julgamento em júri popular. (Foto: Reprodução)

A morte de Benício, de 6 anos, ocorrida em novembro de 2025 no Hospital Santa Júlia, ganhou novos desdobramentos após a conclusão do inquérito da Polícia Civil do Amazonas. As investigações apontam que a médica Juliana Brasil realizava vendas de cosméticos pelo WhatsApp enquanto o menino apresentava reações graves após receber uma dose inadequada de adrenalina.

De acordo com a apuração, a criança procurou atendimento com sintomas de tosse seca, mas recebeu a medicação por via intravenosa — procedimento considerado incorreto para o quadro clínico, que exigia administração por inalação. A aplicação direta na veia provocou uma overdose.

Enquanto Benício era atendido na chamada “sala vermelha”, destinada a casos críticos, a perícia identificou que a médica alternava a atenção entre o paciente e conversas comerciais. Nas mensagens, ela enviava dados para pagamento, confirmava transferências e trocava conteúdos informais com clientes.

Os registros analisados indicam que essas interações ocorreram cerca de uma hora e meia após a aplicação da substância, período em que o estado de saúde da criança já era considerado grave. Para o delegado responsável pelo caso, Marcelo Martins, a conduta demonstra falta de atenção compatível com a gravidade da situação.

A investigação também descartou a versão apresentada pela defesa da médica, que alegava falha no sistema do hospital quanto à via de administração do medicamento. Perícia técnica não encontrou indícios de erro no software. Além disso, mensagens obtidas pelos investigadores apontam que teria havido tentativa de produzir um vídeo para sustentar essa narrativa.

Outro ponto levantado é que Juliana Brasil se apresentava como pediatra sem possuir registro formal na especialidade. O inquérito ainda destaca falhas estruturais na unidade de saúde, como a ausência de farmacêuticos para conferência de prescrições e número reduzido de profissionais no plantão.

Diante dos elementos reunidos, a médica foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. A técnica de enfermagem responsável pela aplicação do medicamento e a direção do hospital também foram responsabilizadas em diferentes níveis.

Em nota, a defesa sustenta que o vídeo apresentado é legítimo e afirma que, no momento mais crítico, a paciente já não estava sob responsabilidade direta da médica, que teria seguido outras atividades no plantão.

O caso agora será analisado pela Justiça, com possibilidade de que as envolvidas sejam levadas a julgamento pelo tribunal do júri.

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