06/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

TJAM promove reconhecimento voluntário de paternidade com mais de 100 educadores na capital

Publicado em 25 de abril, 2026

TJAM promove reconhecimento voluntário de paternidade com mais de 100 educadores na capital

O Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) realizou, nesta sexta-feira (24/4), por meio da Coordenadoria das Varas de Família, mais uma etapa do projeto “Meu Pai é Legal”, desta vez voltada à rede municipal de ensino. A ação ocorreu no auditório da Secretaria Municipal de Educação (Semed), em Manaus, reunindo gestores e professores dos Distritos Norte, Oeste e Sul da capital.

De acordo com a desembargadora Socorro Guedes, que coordena as Varas de Família do Tribunal, a intenção é discutir a importância do reconhecimento voluntário de paternidade, que é um direito fundamental da criança e do adolescente, ressaltando que o ambiente escolar, através de professores, pedagogos, gestores e assistentes sociais, pode contribuir significativamente para que esse direito seja assegurado.

Parceria

“O intuito de contar com essa parceria com os educadores é de possibilitar que crianças e adolescentes tenham o reconhecimento da paternidade de forma simplificada. Estamos saindo do Tribunal e indo ao ambiente escolar para conscientizar e incentivar que mais pessoas possam ter o nome do pai na sua certidão de nascimento. Muitas vezes, há um desconhecimento sobre como pode ser feito e é isso que queremos mudar, garantindo cidadania e dignidade às crianças e adolescentes”, afirmou.

Conforme dados do Portal da Transparência, da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), mais de 91 mil crianças foram registradas no Brasil em 2024 apenas com o nome da mãe na certidão de nascimento.

Projeto

O juiz Gildo Alves de Carvalho Filho, coordenador-executivo do projeto “Meu Pai é Legal” e titular da 8.ª Vara de Família da Comarca de Manaus, também participou da programação na Semed e apresentou, de forma prática, como a iniciativa será implementada nas escolas municipais de Manaus destacando a importância de uma abordagem sensível, responsável e sigilosa. Ele ressaltou ainda o caráter social da ação, defendendo um Judiciário mais próximo da realidade das famílias e comprometido com o cidadão.

“Muitas vezes, a falta do reconhecimento de paternidade está ligada a situações delicadas, como violência sexual, relações intrafamiliares ou traições. Quando há acordo, o reconhecimento pode ser feito em cartório e, nos casos de conflito, pela via judicial, com apoio da Defensoria Pública ou de advogados. Com o teste de DNA gratuito, que será disponibilizado pela Justiça, o processo se torna mais acessível e o projeto amplia o alcance, garantindo direitos de forma mais humanizada”, disse o juiz Gildo.

Semed

O secretário municipal de Educação, Arone Bentes, ressaltou a relevância da parceria com o TJAM e o papel da escola nesse processo. “É um trabalho de educação e responsabilidade de todos nós. Temos esse programa de fundamental importância e precisamos agir onde é necessário, especialmente na educação básica, garantindo que esses direitos sejam efetivados”, declarou.

A pedagoga Maria Salomé e Silva, gerente da Divisão Distrital Zonal (DDZ) da Zona Norte da Semed Manaus, também enfatizou o impacto direto da iniciativa no cotidiano escolar, destacando a experiência de quem acompanha de perto a realidade da rede.

“À frente de dezenas de escolas, a gente conhece de perto a realidade das nossas crianças e famílias. O projeto é extremamente necessário porque toca em uma questão sensível e presente no dia a dia escolar. É uma iniciativa que chega para acolher, orientar e dar um caminho para muitas famílias que, muitas vezes, não sabem por onde começar. Isso faz toda a diferença na vida dessas crianças”, afirmou.

Novos juízes

O encontro desta sexta-feira contou, ainda, com a presença dos novos juízes substitutos do TJAM, que tomaram posse no último dia 13 de abril, entre eles, a juíza substituta Maria Thereza Grandeni, da Comarca de Envira, que destacou a importância do reconhecimento de paternidade, tanto no aspecto legal quanto emocional.

“O programa é uma iniciativa maravilhosa do Tribunal. O próprio nome ‘Meu Pai é Legal’ traz essa ideia de legalidade, mas também de acolhimento e afeto. Pela minha experiência pessoal, sei o quanto esse reconhecimento impacta a vida de uma pessoa, não só juridicamente, mas emocionalmente. Acredito que podemos contribuir, especialmente no interior, com o apoio das escolas e da rede de saúde, promovendo esse reconhecimento de forma simples e acolhedora”, declarou.

Atuação nas escolas

Nesta etapa, o projeto atua diretamente com professores, pedagogos e gestores escolares, com o objetivo de sensibilizar a comunidade educacional para a identificação de alunos que possuem apenas o nome da mãe na certidão de nascimento.

A partir desse alinhamento, as escolas passam a orientar as famílias e encaminhar os casos ao TJAM. O projeto disponibiliza exames de DNA gratuitos, viabilizados por meio de parcerias institucionais, garantindo mais agilidade e acesso ao reconhecimento de paternidade.

Com os resultados, o Tribunal dará continuidade ao atendimento, priorizando a mediação e a conciliação, seja para o reconhecimento biológico ou socioafetivo.

Veja mais fotos aqui: https://www.flickr.com/photos/tribunaldejusticadoamazonas/albums/72177720333307909

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