
Omar, Cidade, Wilson e Braga, juntos e misturados em evento político
O Fórum Estadual das Casas Legislativas do Amazonas, realizado entre os dias 23 e 24 de abril, em Manaus, reuniu representantes das 62 Câmaras Municipais do Estado e acabou se transformando também em palco de um raro encontro entre algumas das principais lideranças políticas do Amazonas.
Estiveram no mesmo ambiente o senador Omar Aziz, o senador Eduardo Braga, o governador Wilson Lima e o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade, responsável pela idealização do evento.
O fórum, que já integra o calendário oficial da Assembleia Legislativa do Amazonas desde 2022, tem como objetivo fortalecer as Câmaras Municipais por meio de capacitação, troca de experiências e debates sobre o papel do Legislativo. A programação inclui oficinas, palestras e discussões sobre temas como orçamento público, legislação, comunicação parlamentar e desenvolvimento sustentável.
Criado na gestão de Roberto Cidade, o Feclam se consolidou como um dos principais espaços de articulação institucional do Estado. Em edições recentes, chegou a reunir mais de 850 participantes, entre vereadores, prefeitos e servidores, representando todos os municípios amazonenses.
Mais do que um evento técnico, o encontro funciona como vitrine política. A presença simultânea de Omar, Braga, Wilson e Cidade — nomes centrais no xadrez eleitoral — reforça o peso do fórum como ambiente de diálogo e, ao mesmo tempo, de observação estratégica.
Na plateia, a reitora da Fametro, Maria do Carmo Seffair, também pré-candidata ao Governo do Amazonas, acompanhou o evento. Foi citada nominalmente por Omar Aziz em um gesto de distensão política.
“Somos adversários e não inimigos”, afirmou o senador, em referência direta ao ambiente eleitoral que se desenha para 2026.
A fala sintetiza um movimento visível no evento: a tentativa de baixar o tom público entre lideranças que, nos bastidores, seguem em campos distintos.
A cena contrasta com o histórico recente. Eduardo Braga e Wilson Lima estiveram em lados opostos na última eleição ao Governo do Estado, disputa que avançou além das urnas e chegou ao chamado “terceiro turno”, na Justiça Eleitoral, com questionamentos sobre o resultado.
O reencontro institucional no Feclam, portanto, tem valor simbólico — ainda que limitado.
Apesar dos gestos públicos de civilidade, a prática política indica que uma convergência efetiva entre esses grupos ainda está distante.
O Feclam mostra que há espaço para diálogo — sobretudo em ambientes institucionais —, mas também evidencia que o cenário segue marcado por disputas, projetos distintos e movimentos estratégicos em curso.
No tabuleiro que se forma para 2026, o encontro foi mais um registro importante: líderes juntos no mesmo palco, mas ainda separados por caminhos políticos que, até aqui, não convergiram.
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