04/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Brasil cria protocolo nacional para investigar crimes contra jornalistas

Publicado em 07 de abril, 2026

Brasil cria protocolo nacional para investigar crimes contra jornalistas

Assinado pelo Ministério da Justiça, documento estabelece padrão inédito no País e articula Estado e sociedade civil contra a violência a comunicadores (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O Brasil passa a contar, pela primeira vez, com um protocolo nacional específico para investigar crimes contra jornalistas e comunicadores. A medida será formalizada nesta terça-feira (7/4), Dia do Jornalista, no Palácio do Planalto, com assinatura do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, e presença do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.

Elaborado no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores, o protocolo cria um padrão nacional de atuação para o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com foco na prevenção, apuração e responsabilização de crimes praticados em razão da atividade jornalística. Na prática, estabelece proteção imediata às vítimas, organiza procedimentos investigativos e reforça a cooperação entre instituições para enfrentar a impunidade.

A lógica é clara: ataques a jornalistas não são apenas crimes individuais, mas violações à liberdade de expressão e ao direito à informação, com impacto direto sobre a democracia. O protocolo orienta desde o registro da ocorrência até a condução das investigações, incluindo medidas emergenciais de proteção, coleta qualificada de provas e preservação do sigilo da fonte.

O documento foi construído em articulação com a sociedade civil, reunindo entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), Artigo 19, Repórteres Sem Fronteiras, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), além de organizações como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre outros e representantes do jornalismo profissional e da comunicação popular.

Com a iniciativa, o Brasil se alinha a uma tendência internacional de criação de mecanismos específicos para proteger jornalistas e enfrentar a violência contra a imprensa — um dos principais desafios globais para a democracia.

Concurso Bruno e Dom

Entre as ações anunciadas, está também o lançamento do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, que reconhece e incentiva produções voltadas a essas áreas.

Com inscrições abertas até 21 de maio, a iniciativa contempla seis categorias — incluindo reportagem, audiovisual e comunicação indígena — e busca transformar a memória de Dom Phillips e Bruno Pereira em fomento ao jornalismo de interesse público e à comunicação comunitária.

Dom Phillips, jornalista britânico, e Bruno Pereira, indigenista brasileiro, foram assassinados em junho de 2022, no Vale do Javari (AM), enquanto realizavam trabalho de campo voltado à proteção da Amazônia e dos povos indígenas. O caso teve repercussão internacional e se tornou símbolo dos riscos enfrentados por jornalistas e defensores de direitos humanos em regiões de conflito.

As medidas reforçam o compromisso do Estado brasileiro com a liberdade de imprensa, a proteção de jornalistas e o fortalecimento de uma comunicação plural — pilares essenciais para o funcionamento da democracia.

Agência Gov

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