
Reino Unido lança primeira revista digital e revela Carnaval 2026
A Reino Unido da Liberdade lançou, nesta sexta-feira, sua primeira revista oficial digital, marcando um novo capítulo na história da agremiação. A publicação reúne memória, identidade e criação artística, funcionando como um registro institucional da trajetória da escola e como um guia completo do projeto apresentado para o Carnaval 2026.
Intitulada Reino em Revista – Edição 01, a publicação nasce como um manifesto cultural. Logo nas primeiras páginas, a escola se apresenta como uma “escola de vida”, reafirmando o papel do samba como instrumento de resistência, pertencimento e transformação social no Morro da Liberdade. O conteúdo articula passado e presente ao revisitar a fundação da agremiação, em 1981, e o contexto social que fez do samba uma resposta ao estigma e à exclusão enfrentados pela comunidade.
Um dos eixos centrais da revista é o enredo de 2026, “Salve os Caboclos da Floresta! Da coroa de Vodum aos contos do Mestrinho”. A edição detalha os bastidores da concepção artística e espiritual do desfile, que tem como fio condutor a Cabocla Mariana e a memória de João Thomé Mestrinho, conectando o terreiro, a avenida e os saberes ancestrais amazônicos. A proposta é apresentada como uma narrativa de combate ao racismo estrutural, ao epistemicídio e ao apagamento cultural.
A revista também traz entrevistas com baluartes da fundação, como Bosco Saraiva, Chocolate e Thomé, que relatam o surgimento da escola como estratégia de sobrevivência cultural e afirmação identitária. Outro destaque é o espaço dedicado às Matriarcas do Samba, com um olhar sensível sobre a Ala das Baianas, retratada não apenas como guardiã da tradição, mas como um coletivo de criação, convivência e fortalecimento da saúde mental das idosas, que em 2026 confeccionam suas próprias indumentárias.
Há ainda um mapeamento completo do desfile, com a explicação dos setores, alas, alegorias e quesitos, apresentando a base teórica e estética da escola para a avenida. A revista detalha desde o “Chão de Terreiro” até o setor “Futuro Ancestral e Justiça Climática”, que propõe uma reflexão sobre sustentabilidade, economia circular e o papel do carnaval como indústria de conhecimento e cidadania.
Perfis da presidência, da comissão de carnaval, da corte e dos quadros artísticos reforçam o caráter institucional da publicação, que também assume posicionamento político e cultural ao defender a luta contra o racismo, a intolerância religiosa e todas as formas de preconceito, utilizando o desfile como voz coletiva na avenida.
Com esta primeira edição, a Reino Unido da Liberdade inaugura uma série editorial permanente. A proposta é lançar novos volumes, ampliando o registro histórico da escola e consolidando a revista como instrumento de preservação da memória, valorização da identidade e projeção do carnaval amazonense.
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