
Bastidores da mensagem de David expõem novo xadrez político
MANAUS (AM) – A leitura da mensagem anual do prefeito David Almeida na Câmara Municipal de Manaus trouxe à tona sinais claros de rearranjos no tabuleiro político do Amazonas. Nos bastidores, dois fatos chamaram atenção: a ausência do vice-governador Tadeu de Souza, que justificou a falta por compromissos previamente assumidos, e a presença do senador Eduardo Braga, figura central nas articulações que antecedem a corrida eleitoral de 2026.
A ausência de Tadeu de Souza ganhou peso político porque ele é o sucessor imediato do governador Wilson Lima, na hipótese de renúncia do cargo até 4 de abril, prazo final para desincompatibilização com vistas à disputa pelo Senado. O cenário mais provável, segundo a leitura predominante nos bastidores, é que Tadeu de Souza deixe o Avante e migre para o União Brasil, movimento considerado praticamente certo diante dos sinais públicos recentes.
A filiação ao União Brasil é vista como condição política estabelecida por Wilson Lima para que a renúncia ao governo ocorra, permitindo que Tadeu assuma o Palácio do Governo. Ainda assim, o vice-governador pode se lançar candidato ao Executivo estadual mesmo que David Almeida também deixe a Prefeitura de Manaus para disputar o governo, o que abriria uma inédita concorrência entre aliados recentes.
Nos bastidores, o próprio David Almeida já teria avaliado como correta a decisão de Tadeu de aceitar o convite do governador e ingressar no União Brasil, reforçando a percepção de que o grupo governista se reorganiza para múltiplas possibilidades eleitorais.
Outro ponto de destaque foi a presença de Eduardo Braga na sessão. O senador concentra cerca de R$ 1,6 bilhão em emendas destinadas à Prefeitura de Manaus, valor equivalente a aproximadamente 25% do orçamento anual do município, o que lhe confere peso político significativo na relação com o Executivo municipal. Braga também é o principal aliado do senador Omar Aziz. Ele tem declarado que seu principal esforço político, neste momento, é estimular o diálogo entre Davi Almeida e Omar Aziz, pré-candidato ao governo já lançado.
A avaliação corrente no meio político é que Braga tenta evitar um confronto excessivamente desgastante entre David e Omar no primeiro turno, capaz de inviabilizar qualquer composição no segundo turno. A preocupação estratégica é clara: uma disputa marcada por ataques mútuos poderia empurrar alianças para caminhos inesperados, inclusive abrindo espaço para a professora Maria do Carmo, que também se apresenta como pré-candidata ao governo, ainda que com chances consideradas remotas pelas pesquisas atuais.
Nesse cenário hipotético, uma ruptura irreversível entre David Almeida e Omar Aziz no primeiro turno poderia tornar inevitável uma aliança alternativa no segundo turno, redesenhando completamente o campo político estadual. É justamente para evitar esse desfecho que Eduardo Braga atua como articulador, buscando um mínimo de entendimento entre os principais postulantes ao Palácio do Governo.
Os bastidores da leitura da mensagem do prefeito, portanto, tornaram mais visíveis movimentos que já vinham sendo costurados nos últimos meses e indicam que a sucessão estadual de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos no Amazonas.
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