11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Antologia inédita de Wilfred Owen chega ao público brasileiro

Publicado em 03 de fevereiro, 2026

Foto: Divulgação

Pela primeira vez, o público brasileiro tem acesso a uma antologia poética do poeta e soldado inglês Wilfred Owen, considerado o maior nome da poesia de guerra do século XX. O livro A velha mentira – poemas da Grande Guerra por Wilfred Owen chega ao Brasil em edição bilíngue, com tradução, organização e textos analíticos da historiadora, escritora e criadora de conteúdo manauara Clarissa Desterro.

Publicada pela Editora Caravana, a obra reúne a tradução de 30 poemas de Owen e conta ainda com capítulos dedicados à análise de sua poesia, uma breve biografia do autor e um trabalho de contextualização histórica da Primeira Guerra Mundial. Com 176 páginas, o livro propõe uma reflexão sobre memória, resistência e o papel da poesia diante da barbárie.

Wilfred Owen expôs em seus versos o horror de ser apenas mais um soldado em combate. Sua poesia nasce da experiência direta da guerra, marcada pela revolta contra o discurso de heroísmo e dever patriótico dominante à época. Nascido em 1893, na Inglaterra, Owen morreu em combate aos 25 anos, poucos dias antes do armistício que encerrou a guerra, em 1918.

Grande parte de sua obra foi escrita durante o período em que esteve hospitalizado na Escócia, após desenvolver Transtorno de Estresse Pós-Traumático, então conhecido como shell shock, em decorrência de ferimentos, explosões e acidentes na linha de frente. Seus poemas conduzem o leitor às trincheiras, com descrições cruas de odores, corpos, feridas, ruídos de metralhadoras e o sofrimento físico e psicológico dos combatentes. Trata-se de uma poesia visual, visceral e profundamente política, que funciona como denúncia da violência e da inutilidade da guerra.

Apesar de sua relevância internacional, Wilfred Owen ainda não havia recebido uma tradução ampla e sistematizada para o português. Considerado um dos grandes precursores do modernismo e referência incontornável da poesia do século XX, o autor teve sua obra descrita por Dylan Thomas como “para todos os tempos, todos os lugares e todas as guerras”, evidenciando a atualidade de seus versos diante dos conflitos contemporâneos e das narrativas que moldam o imaginário bélico.

A tradução apresentada no livro é guiada pela própria concepção de Owen sobre sua poesia. “Meu tema é a Guerra, e a Lástima da Guerra. A poesia está na Lástima”, escreveu o autor. Segundo Clarissa Desterro, a prioridade foi preservar o conteúdo, as imagens e a força da mensagem, respeitando a intenção do poeta de expor a futilidade, a tragédia e o horror da guerra como forma de enfrentamento à cultura belicosa que romantiza o combate.

Com essa edição inédita, a obra de Wilfred Owen passa a integrar de forma mais ampla o repertório da literatura em língua portuguesa, oferecendo ao leitor brasileiro não apenas poesia, mas também uma reflexão histórica e humana sobre os custos da guerra e o poder da palavra como memória e resistência.

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