
‘Disse que ia me matar’: áudios revelam conflito antes de feminicídio
O assassinato de Alana Arruda Pereira, de 25 anos, morta com um tiro na cabeça na tarde de quarta-feira (28), no bairro Betânia, zona Sul de Manaus, segue repercutindo após declarações do suspeito, o vigilante Emerson Mendes, e a divulgação de vídeos que mostram conflitos anteriores entre ele e a vizinha. O caso é investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
Preso em flagrante, Emerson afirmou que teria agido por medo após, segundo ele, receber ameaças constantes da vizinha. “Ela falou que só ia se aquietar quando me matasse, eu sou pai de família, eu não ia esperar”, declarou à imprensa ao sair da delegacia para participar da audiência de custódia. A Polícia Civil informou que o suspeito responderá por homicídio qualificado.
De acordo com a polícia, a morte de Alana foi o desfecho de uma sequência de desentendimentos entre os dois vizinhos. Moradores da área relataram que as discussões eram frequentes e vinham acontecendo há meses, envolvendo acusações, ameaças verbais e conflitos pessoais.
O irmão do suspeito, Diego Mendes, afirmou que Emerson já demonstrava preocupação com a situação. “Já tinha conversado com ele sobre essa situação. Ela continuou insistindo na confusão, continuou insistindo na ameaça e ele ficou paranoico com isso e acabou fazendo uma besteira”, disse. As declarações fazem parte do inquérito, mas ainda serão confrontadas com outras versões colhidas pela polícia.
Um vídeo gravado no momento da prisão do vigilante passou a circular nas redes sociais e mostra Emerson exaltado, entregando a arma utilizada no crime aos policiais. Nas imagens, ele tenta justificar a ação. “Eu sou trabalhador, pai de família. Ela veio aqui, arrebentou tudo. Vagabundo que mexe com pai de família tem que pagar”, afirmou.
Em outro trecho, ele volta a alegar ameaça por parte da vizinha. “Ela falou que ia me matar, todo mundo viu”, disse o suspeito. A Polícia Civil informou que o vídeo será analisado e anexado ao inquérito como elemento de prova.
Outros vídeos divulgados mostram discussões entre Alana e Emerson ocorridas no dia 18 de janeiro, cerca de dez dias antes do crime. Em uma das gravações, feita em uma banca de churrasco, o vigilante aparece agredindo a vizinha, causando tumulto no local. Em outra, Alana surge discutindo em frente à casa do suspeito, chegando a chutar o portão da residência.
Segundo o delegado George Gomes, da DEHS, as imagens reforçam a existência de uma desavença antiga entre os vizinhos, mas não antecipam conclusões sobre a motivação legal do crime. “Todos os elementos estão sendo analisados para esclarecer a dinâmica dos fatos”, afirmou.
Alana Arruda era mãe de uma criança de 4 anos e trabalhava como profissional de estética. Familiares acompanharam os procedimentos no local do crime e cobram justiça. A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e aguardando laudos periciais para concluir o inquérito.