08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Calor global acelera: 2025 deve terminar entre os anos mais quentes da história

Publicado em 09 de dezembro, 2025

Copernicus alerta para novo recorde climático e três anos seguidos acima de 1,5°C (Foto: Reprodução)

O planeta deve encerrar 2025 como o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado, ficando atrás apenas do recorde histórico de 2024. A projeção foi divulgada nesta terça-feira (9) pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia, destacando a continuidade de uma tendência acelerada de aquecimento global.

As análises chegam logo após a COP30, realizada em Belém, onde governos não avançaram em compromissos robustos para cortar emissões de gases de efeito estufa — cenário influenciado pela tensão geopolítica, pela reversão de políticas climáticas nos Estados Unidos e pela tentativa de alguns países de suavizar metas de redução de CO₂.

Segundo o C3S, 2025 também marca o fim do primeiro triênio em que a temperatura média global superou 1,5°C em relação ao período pré-industrial (1850-1900), quando a queima de combustíveis fósseis começou a crescer em escala.
“Esses marcos não são abstratos. Eles mostram a velocidade com que o clima está mudando”, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica do serviço europeu.

Eventos severos continuaram em todo o planeta. O tufão Kalmaegi deixou mais de 200 mortos nas Filipinas no mês passado, enquanto a Espanha enfrentou os piores incêndios florestais em 30 anos, alimentados pela combinação de calor, seca e ventos fortes.

A Organização Meteorológica Mundial já havia confirmado que os últimos dez anos foram os mais quentes da série histórica. Embora fenômenos naturais provoquem variações anuais, cientistas apontam uma tendência clara de aquecimento sustentado, diretamente ligado ao uso de combustíveis fósseis.

O limite global de 1,5°C, previsto no Acordo de Paris de 2015 para evitar impactos climáticos extremos, ainda não foi tecnicamente ultrapassado — o indicador considera médias de décadas. No entanto, a ONU alertou que a meta se tornou praticamente inalcançável, pedindo cortes urgentes nas emissões para reduzir a magnitude da superação.

Os registros do C3S, iniciados em 1940 e cruzados com dados globais desde 1850, reforçam o diagnóstico: o mundo continua a esquentar em ritmo acelerado, e 2025 tende a consolidar mais um ano de alerta para governos e sociedades.

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