
Documento coletivo orienta proteção ambiental, governança e futuro do território no Noroeste do Amazonas. (Fotos: Nian Pissolati/ Acervo PGTA)
Os povos Nadëb e Kanamary lançam, no dia 4 de dezembro, às 10h, o Plano de Gestão Territorial e Ambiental Indígena (PGTA) da Terra Indígena Paraná do Boá-Boá, em Japurá, região do Noroeste do Amazonas marcada por pressões externas e conflitos socioambientais. O documento, construído coletivamente ao longo de quatro anos, se tornou um marco para a organização política das comunidades e estabelece diretrizes para proteger, manejar e projetar o futuro do território.
Reconhecido nacionalmente como instrumento central da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), o PGTA sistematiza saberes tradicionais, práticas de manejo e prioridades definidas pelas próprias comunidades. O plano consolida a governança interna, fortalece a cultura e orienta o uso sustentável dos recursos naturais, expressando a relação ancestral dos povos com seu território.
Mesmo homologada desde 1997, a Terra Indígena Paraná do Boá-Boá enfrenta desafios persistentes, como garimpo, pesca ilegal, extração predatória e outras invasões agravadas pela fragilidade da fiscalização. Esses conflitos colocam em risco a segurança territorial e afetam diretamente os modos de vida dos povos Nadëb e Kanamary. Nesse contexto, o PGTA se apresenta como ferramenta estratégica para orientar ações de proteção, vigilância, manejo ambiental e articulação política com órgãos públicos e parceiros institucionais.
Para os povos da região, o plano representa uma conquista histórica e um avanço na autonomia comunitária, ampliando a capacidade de diálogo com o Estado e reforçando o protagonismo indígena na gestão do território. O documento é compreendido como um instrumento vivo, que deverá guiar as futuras gerações no cuidado contínuo com a Terra Indígena Paraná do Boá-Boá.
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