13/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

COP30: Brasil anuncia entrada na Iniciativa Global para Algas Marinhas

Publicado em 20 de novembro, 2025

Foto: Divulgação

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) destacou, nesta quarta-feira (20/11), o papel estratégico da algicultura para a economia azul e para sistemas alimentares sustentáveis, durante o painel “Sistemas Alimentares Aquáticos como Soluções Climáticas”, no Pavilhão Brasil, na Blue Zone da COP30.

No evento, o ministro André de Paula anunciou que o Brasil passará a integrar a Iniciativa Global para as Algas Marinhas — United Nations Global Seaweed Initiative (UNGSI). “A algicultura tem um potencial extraordinário para o país. Ela integra biodiversidade, bioeconomia e desenvolvimento territorial, além de abrir novas oportunidades para produtores, pesquisadores e empreendedores. Estamos trabalhando para que o Brasil avance com segurança regulatória, conhecimento técnico e novos investimentos”, afirmou o ministro.

O painel, moderado pela Secretária Nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula, reuniu representantes da FAO, da academia, de comunidades tradicionais e de organismos internacionais para debater o potencial das algas como bioinsumos estratégicos e soluções climáticas.

Algicultura como eixo da bioeconomia azul

Fernanda destacou que o Brasil avança na construção de um ambiente regulatório e produtivo orientado por ciência e inovação. Para ela, o setor pode se tornar um dos novos pilares da economia azul, com impacto direto em segurança alimentar, adaptação climática e geração de trabalho digno. “A algicultura reúne um potencial extraordinário, mas ainda enfrenta investimentos dispersos e regulações fragmentadas. Por isso, precisamos de uma abordagem colaborativa entre governos, agências internacionais, ciência, setor privado e comunidades costeiras”, disse.

Contribuições técnico-científicas e visão internacional

O chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Luis Krabbe, reforçou a importância da pesquisa para o avanço sustentável do setor.

O representante do Ministério da Pesca do Japão, Teiji Hayashi, apresentou experiências do país na integração entre tecnologia e desenvolvimento costeiro.

Já Chantal Line Carpentier, da UNCTAD, destacou o potencial das algas para diversificar economias costeiras, criar empregos verdes e apoiar metas globais de mitigação.

Voz dos territórios: biodiversidade e soberania alimentar

A cozinheira tradicional Aparecida Alves, da Praia de São Gonçalo, Paraty, destacou resultados ambientais e sociais observados no cultivo comunitário. “Com o trabalho da Kappaphycus alvarezii, vimos a água mais limpa e a volta de espécies marinhas ao redor dos plantios. Isso mostra que a algicultura pode melhorar o território quando é feita com cuidado e conhecimento. Para que mais comunidades participem, precisamos de políticas públicas, informação clara e diálogo. A algicultura pode gerar renda e fortalecer a soberania alimentar, mas isso só acontece quando quem vive do mar é ouvido desde o início”, conta.

Ciência, clima e produtividade

O professor Nathan Barros (UFJF) reforçou o papel das algas no enfrentamento das mudanças climáticas. “A algicultura entrega alta produtividade sem competir com terra ou água doce e ainda sequestra carbono. É uma solução que conecta produção de alimentos, restauração ambiental e redução de emissões”, disse.

O que é a Iniciativa Global das Nações Unidas para as Algas (UNGSI)

A UNGSI é uma iniciativa da UNCTAD, com apoio da COI-UNESCO, FAO, UNIDO e do Pacto Global da ONU, que busca promover práticas sustentáveis de produção e comercialização de algas, fortalecer a inclusão de pequenos produtores e ampliar a cooperação internacional em sustentabilidade, ciência, comércio e inovação na algicultura. O MPA, por meio da Secretaria Nacional de Aquicultura e da Assessoria Internacional, participou da elaboração do Termo de Referência e da Nota Conceitual da iniciativa, ao lado de representantes de dez países e organizações internacionais. Madagascar, Indonésia e França já confirmaram participação; Brasil e Chile são apoiadores, ao lado do Banco Mundial, CEVA, CNRS, ISA, SAMS e outras instituições.

A UNGSI integra a Agenda de Ação da COP30, no eixo de Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares, com foco em sistemas mais resilientes e sustentáveis. No processo preparatório, o MPA liderou o Plano de Aceleração de Soluções “Múltiplos benefícios climáticos da algicultura”, em parceria com UNCTAD, FAO, a Coalizão dos Alimentos Aquáticos, as Aquatic Food & Ocean Breakthroughs e a WorldFish.

Agência Gov

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