
Acordo fechado às vésperas da COP30 permite uso de créditos de carbono estrangeiros e reduz exigência real de corte de poluentes para 85%. (Foto: Reprodução)
Os ministros da União Europeia (UE) chegaram, na madrugada desta quarta-feira (5), a um acordo sobre a meta climática do bloco para 2040, após intensas negociações de última hora. O consenso, que antecede a abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, estabelece a redução de 90% das emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 1990 — mas com brechas que flexibilizam o objetivo.
O acordo, aprovado em votação pública, permite que os países europeus comprem créditos de carbono internacionais para cobrir até 5% da meta de redução. Na prática, isso reduz para 85% o corte efetivo exigido das indústrias do continente, já que parte das emissões poderá ser compensada em outros países. A UE também deixou aberta a possibilidade de ampliar o uso desses créditos no futuro, permitindo que mais 5% das reduções sejam cumpridas por meio de compensações externas.
Além da meta principal para 2040, os países do bloco europeu definiram um intervalo de redução entre 66,25% e 72,5% até 2035. A decisão surge em um momento de pressão global por compromissos mais ambiciosos, já que a ONU solicitou que todos os governos apresentem seus planos climáticos para 2035 antes do início da cúpula da COP30, que reunirá chefes de Estado nesta quinta-feira (6).
A COP30 acontece oficialmente entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), e deve receber cerca de 50 mil participantes — entre delegações oficiais, negociadores, jornalistas e representantes de movimentos sociais que atuarão na Cúpula dos Povos. O encontro marca um momento decisivo para definir os rumos das políticas climáticas globais na próxima década.
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