22/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MPAM recomenda regularização do atendimento no Caps em Santa Etelvina

Publicado em 03 de novembro, 2025

MPAM recomenda regularização do atendimento no Caps em Santa Etelvina

Após denúncias de graves problemas de atendimento e infraestrutura no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Silvério Tundis, situado no bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) expediu recomendação à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). O órgão também requisitou informações para apurar o funcionamento adequado da unidade.

A medida, de autoria da promotora Luissandra Chíxaro de Menezes, titular da 58ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública (PRODHSP), é um desdobramento do procedimento administrativo n° 09.2025.00000196-0, instaurado para investigar a falta de atendimento médico nesse Caps, durante um episódio de paciente em grave crise depressiva.

Denúncias

No decorrer da investigação e após novas denúncias, a promotoria constatou um quadro que aponta falência sistêmica nos serviços da unidade, com situações que envolvem: escassez e ausência de medicamentos essenciais; falta de terapias psicológicas e psiquiátricas; más condições de higiene e alimentação; problemas de infraestrutura, com ausência de acomodações adequadas para acompanhantes; e recusa no fornecimento de encaminhamentos formais aos pacientes.

Também foi informada grave ocorrência de prática de sedação de pacientes em crise e liberação no dia seguinte, sem tratamento ou estabilização adequada.

Promotoria

A promotoria oficiou quatro vezes a direção do Caps Silvério Tundis, enquanto a SES foi notificada em duas ocasiões, sem respostas conclusivas. “O silêncio e a omissão dos gestores públicos diante de um quadro tão grave e de reiteradas solicitações ministeriais configuram violação aos princípios da legalidade, moralidade e eficiência da administração pública, além de grave desrespeito aos direitos fundamentais de uma população em extrema vulnerabilidade”, afirmou a promotora.

O Ministério Público recomendou a adoção de providências em relação ao Caps, oficiando a SES a realizar vistoria técnica e a encaminhar documentos comprobatórios sobre o funcionamento regular do local. O órgão tem o prazo improrrogável de 30 dias para enviar:

* Escala de toda a equipe médica e multidisciplinar da unidade, atestando a cobertura integral durante o horário de funcionamento, bem como o cumprimento dessa escala;
* Implementação de um protocolo para atendimento de emergências psiquiátricas, garantindo que nenhum paciente em crise fique novamente sem assistência;
* Comprovação da retomada dos serviços de terapias psicológicas e psiquiátricas, individuais e em grupo, em conformidade com a Política Nacional de Saúde Mental;
* Relatório do estoque farmacêutico e da regularidade do fornecimento de medicação psiquiátrica;
* Determinação para a expedição de laudos, relatórios e encaminhamentos.

Infraestrutura

No âmbito da infraestrutura, a promotoria recomendou a realização de vistoria técnica e elaboração de um plano de ação para sanar os problemas de higiene, alimentação e estrutura física, incluindo a instalação de acomodações para os acompanhantes e a adequação dos pisos e banheiros da unidade.

O não cumprimento das recomendações pode resultar no ajuizamento de ação civil pública (ACP), diante da omissão dos gestores da SES e do Caps, em face das reiteradas tentativas de resolução de cenário pelo Ministério Público.

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