
Expedição “Banzeiro da Esperança” parte de Manaus para Belém levando lideranças e propostas comunitárias que culminarão na entrega da “Carta da Amazônia” durante a conferência climática. (Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará)
Uma jornada fluvial inédita vai transformar os rios amazônicos em rotas de mobilização e escuta popular. No dia 4 de novembro, a embarcação “Banzeiro da Esperança” parte de Manaus rumo a Belém com a missão de levar as vozes da floresta até a COP30, conferência do clima que será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.
Idealizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pela Virada Sustentável, o projeto conecta indígenas, ribeirinhos, quilombolas, jovens e pesquisadores em uma expedição cultural que busca fortalecer a presença da Amazônia nas discussões climáticas globais.
Durante o percurso, que inclui paradas em Parintins e Santarém, serão promovidas atividades formativas e artísticas, com painéis sobre mudanças climáticas, oficinas de audiovisual, exposições fotográficas e rodas de conversa sobre as agendas ambientais da região. Em Parintins, um encontro simbólico entre os bois Caprichoso e Garantido marca o início da travessia.
“É uma grande jornada que leva diferentes vozes da Amazônia para apresentar prioridades e soluções frente às mudanças climáticas. É um caminho de enfrentamento à injustiça climática, pois quem menos contribuiu para o problema é quem mais sofre seus impactos”, explica Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS.
Ao chegar a Belém, o barco se transformará em um Centro Cultural Flutuante, aberto ao público, com shows musicais, apresentações cênicas, exposições e debates. A programação inclui ainda a mostra Amazônia Negra, que celebra as expressões culturais afro-amazônicas.
Segundo André Palhano, cofundador da Virada Sustentável, a arte e a cultura serão aliadas essenciais para promover reflexão e engajamento. “A arte e a cultura gerando reflexão e informação sobre sustentabilidade sempre foram a principal missão da Virada Sustentável, e ganham um contorno especial nesse projeto inédito para a COP30”, afirma.
O ponto alto da iniciativa será a entrega da Carta da Amazônia, documento que reúne propostas elaboradas por comunidades e movimentos da região. O texto é resultado de oficinas realizadas desde julho em diferentes estados da Amazônia Legal, envolvendo mais de mil participantes e resultando em 71 planos de ação climática comunitária — 30 deles selecionados para compor o projeto final.
Para Valcléia Lima, superintendente-adjunta da FAS, o protagonismo local é o que dá sentido à expedição. “Esta edição da COP30 é um marco para o Brasil e o mundo, e as pessoas daqui precisam ser as primeiras a falar e a serem escutadas”, destaca.
Antes da partida, as lideranças se reúnem em Manaus para consolidar propostas e estratégias de captação de recursos. Daí em diante, o rio será o palco por onde a Amazônia fará ecoar sua mensagem ao mundo.
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