30/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Protocolos de desengasgo são atualizados; veja o que mudou nas manobras

Publicado em 27 de outubro, 2025

Protocolos de desengasgo são atualizados; veja o que mudou nas manobras

A American Heart Association (AHA) atualizou, neste mês de outubro, suas diretrizes oficiais de primeiros socorros, reanimação cardiopulmonar (RCP) e emergências cardiovasculares.

Entre as principais mudanças está a forma de agir em casos de engasgo com obstrução das vias aéreas, tanto em bebês e crianças quanto em adultos conscientes.

As novas orientações foram publicadas na revista científica Circulation e substituem as de 2020 — marco da última grande revisão. A AHA é a entidade que define os protocolos seguidos mundialmente em cursos de primeiros socorros.

O que muda

A partir de agora, a recomendação da AHA para vítimas conscientes — crianças e adultos — é alternar cinco pancadas nas costas com cinco compressões abdominais (a conhecida manobra de Heimlich).

Até então, o protocolo orientava começar diretamente pelas compressões.

“A atualização consolida décadas de estudos e testes clínicos. É um retorno às evidências que mostram que as pancadas nas costas ajudam a deslocar o objeto antes mesmo das compressões abdominais”, explica Ashish Panchal, médico e coordenador do comitê de emergência cardiovascular da AHA.

Ajustes

Para bebês com menos de 1 ano, o procedimento também foi ajustado: deve-se alternar cinco pancadas nas costas e cinco compressões no peito, usando a base da palma da mão, até que o corpo estranho seja expulso ou até que o bebê perca a consciência.

Segundo a AHA, o objetivo é aumentar a eficácia e reduzir o risco de lesões. Vale reforçar que, nos menores de um ano, as compressões abdominais estão proibidas por poderem ferir órgãos internos.

Passo a passo para bebês (até 1 ano)

Verifique se o bebê está realmente engasgado: ele não consegue tossir, chorar, respirar, muda de cor ou fica molinho.

Apoie-o de bruços sobre o antebraço, com a cabeça mais baixa que o corpo.

Dê cinco pancadas firmes nas costas, entre as escápulas.

Vire o bebê de barriga para cima e faça cinco compressões torácicas no centro do peito, com a base da palma da mão.

Alterne os dois movimentos até o objeto sair ou o bebê perder a consciência.

Não introduza os dedos na boca se o corpo estranho não estiver visível.

Se o bebê desmaiar, inicie a reanimação (RCP): 30 compressões no peito com os dois polegares + 2 ventilações

Passo a passo para crianças maiores de 1 ano e adultos

Confirme se há obstrução total — ausência de tosse, som ou respiração.

Posicione-se atrás da vítima, levemente inclinado para frente.

Dê cinco pancadas firmes nas costas com o calcanhar da mão.

Se o objeto não sair, realize cinco compressões abdominais (manobra de Heimlich):

Feche um punho e posicione-o acima do umbigo e abaixo do osso do peito.

Segure o punho com a outra mão e comprima com força para dentro e para cima.

Alterne as pancadas e compressões até que o objeto seja expelido ou a pessoa perca a consciência.

Se a vítima desmaiar, deite-a e inicie as compressões torácicas no ritmo da RCP tradicional (100 a 120 por minuto).

Por que as diretrizes mudaram

De acordo com o novo documento, quase 40% das paradas cardíacas infantis fora do hospital nos EUA são causadas por emergências respiratórias ou asfixia.

As novas recomendações da AHA buscam simplificar o treinamento, aumentar a chance de resposta eficaz e diminuir o tempo até o início das manobras, um dos fatores mais críticos para a sobrevivência

Quando procurar ajuda imediatamente

Se a pessoa não conseguir respirar, tossir ou falar.

Se ficar inconsciente.

Se o objeto não for expulso após as manobras.

Sempre acione o SAMU (192) antes de iniciar os procedimentos.

Outros pontos das novas diretrizes

Treinamento infantil: crianças a partir dos 12 anos podem aprender RCP e uso de desfibrilador automático.

Opioides: inclusão de um novo protocolo de atendimento em casos de overdose, com orientações sobre o uso público da naloxona.

Cordão umbilical: em recém-nascidos saudáveis, o clampeamento do cordão deve ser adiado por pelo menos 60 segundos, o que melhora os níveis de ferro e oxigenação.

Cadeia de sobrevivência única: a AHA unificou o antigo conjunto de protocolos em um só, válido para adultos, crianças e casos hospitalares e extra-hospitalares.

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