
Postagens de turistas e influenciadores com animais silvestres têm resultado em autuações do ICMBio e do Ibama; cantor amazonense é multado por exibir tracajá assado (Foto: Divulgação)
Publicar fotos e vídeos com animais silvestres nas redes sociais pode sair caro. Nos últimos meses, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ibama intensificaram o uso de conteúdos digitais como base para fiscalizações e autuações ambientais em todo o país.
Segundo reportagem do UOL, uma turista de Florianópolis foi multada em R$ 10 mil após postar um vídeo acariciando uma tartaruga marinha em Fernando de Noronha (PE). O vídeo foi denunciado por internautas e chegou aos fiscais por meio do próprio Instagram.
De acordo com Edineia Correia, analista ambiental do ICMBio em Noronha, não existe um monitoramento sistemático das redes, mas o instituto recebe denúncias constantes. “Muitos autos de infração vêm dessas publicações. As pessoas se preocupam com a conservação e nos enviam alertas”, explicou à reportagem.
As infrações estão amparadas no Decreto Federal nº 6.514/2008, que prevê multas de R$ 500 a R$ 10 mil para condutas que contrariem os planos de manejo de unidades de conservação. Em Noronha, por exemplo, é proibido tocar ou interagir com animais silvestres, medida que busca evitar o estresse e preservar o comportamento natural das espécies.
Situação parecida ocorreu no Amazonas, quando um cantor amazonense foi multado pelo Ibama após publicar, em sua conta pessoal no Facebook, fotos de um almoço com amigos à base de tracajá assado — espécie protegida pela legislação ambiental.
A publicação gerou críticas de internautas e denúncia anônima à autarquia, que confirmou a infração e aplicou sanções. O caso reacendeu o debate sobre o uso responsável das redes sociais e a importância de respeitar a fauna amazônica.
De acordo com o Ibama, o consumo, transporte ou comércio de espécies silvestres sem autorização é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998). O órgão lembra que, mesmo sem intenção comercial, o abate e o consumo de animais ameaçados são passíveis de penalidades severas.
Especialistas afirmam que a exposição de práticas ilegais nas redes sociais tem se tornado uma ferramenta involuntária de fiscalização. “As redes ajudam a ampliar o debate sobre conservação. Cada vez que uma autuação ganha repercussão, há reflexão e conscientização coletiva”, explica Edineia Correia, do ICMBio.
Além das denúncias feitas por usuários, o ICMBio e o Ibama mantêm canais oficiais de atendimento — como o Fala.br e perfis institucionais no Instagram — para o envio de alertas sobre crimes ambientais.
Casos como os de Noronha e do Amazonas mostram que a visibilidade digital pode se transformar em prova ambiental, reforçando a importância da educação ecológica e do comportamento ético online.
Publicar é um ato público — e, quando envolve a natureza, pode custar caro.
*Com informações do UOL
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