09/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Correios adiam fechamento de agências em meio a plano de reestruturação

Publicado em 09 de julho, 2026

Correios adiam fechamento de agências em meio a plano de reestruturação

Os Correios decidiram adiar o fechamento de agências da estatal em meio à condução do plano de reestruturação da companhia que tem sido conduzido desde o ano passado. A empresa firmou um empréstimo de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco bancos em dezembro de 2025.

A decisão foi tomada em meio às ameaças de greve dos trabalhadores e deverá vigorar até que a estatal chegue a um acordo com os sindicatos que representam os funcionários.

Medidas

Outras medidas de redução de despesas, no entanto, permanecem em vigor, como a venda de imóveis. A empresa afirma que a suspensão é temporária e tem como objetivo abrir espaço para que as entidades representativas dos trabalhadores apresentem questionamentos e sugestões sobre as ações previstas no plano.

Na semana passada, sindicatos indicaram a possibilidade de uma greve em razão da insatisfação com a reestruturação. Em resposta, a direção dos Correios encaminhou uma proposta aos representantes dos trabalhadores para iniciar as negociações.

Entre os principais pontos em discussão está o fechamento de agências, considerado estratégico para a recuperação financeira da estatal. Das mil unidades previstas para encerramento, apenas 256 foram desativadas até o momento. Caso a medida seja concluída, a expectativa é de uma economia de R$ 2,1 bilhões.

PDV

Outro tema que deve entrar na pauta é um novo PDV (Programa de Demissão Voluntária), previsto para ser anunciado em breve. A iniciativa será direcionada apenas aos empregados das unidades que serão fechadas, alcançando cerca de 7 mil trabalhadores.

Segundo apuração em maio, o novo PDV pode responder por até 45% da economia estimada com o plano de reestruturação. Na primeira rodada do programa neste ano, porém, apenas 3.181 empregados aderiram voluntariamente, o equivalente a 31% do público-alvo.

Correios em crise

No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões, alta em relação às perdas de R$ 1,725 bilhão contabilizadas no mesmo período de 2025.

Segundo o relatório contábil da empresa, o resultado reflete fatores estruturais e de mercado, como a queda contínua das receitas com serviços postais tradicionais e o aumento da concorrência em segmentos mais rentáveis da logística, especialmente o comércio eletrônico.

Apesar do cenário financeiro adverso, o Banco do Brasil anunciou, na quarta-feira (8), a assinatura de um contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios. O acordo prevê a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos, em âmbito nacional e internacional, pelos próximos cinco anos.

O Banco do Brasil informou que a contratação seguiu todos os procedimentos necessários, incluindo análises técnicas, avaliação jurídica e formalização contratual.

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