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Um grupo de personal trainers do Amazonas vai entregar, nesta terça-feira (07/10), uma carta denúncia à Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) relatando o que consideram práticas abusivas por parte de academias que cobram valores elevados para permitir o atendimento de clientes dentro de suas instalações.
Segundo os profissionais, as taxas chegam a equivaler a um salário-mínimo por mês, cerca de R$ 1.500, o que tem comprometido a renda da categoria e encarecido o serviço ao consumidor final. A denúncia, assinada por dezenas de personal trainers e alunos, será encaminhada aos deputados estaduais com pedido de elaboração de um Projeto de Lei que regulamente o tema e estabeleça critérios de cobrança considerados justos.
O documento, redigido pelo professor de Educação Física, personal trainer e bacharel em Direito Alex Galvão, classifica a cobrança como “um financiamento disfarçado” que impõe prejuízo tanto ao profissional quanto ao cliente. “O valor de R$ 1.500 mensais totaliza R$ 18 mil por ano — o que, em menos de 14 anos, seria suficiente para quitar um imóvel. Somos penalizados por termos investido em nossa formação e em prestar um serviço qualificado e seguro. Essa prática é uma afronta à nossa profissão e à segurança do consumidor”, afirmou Galvão.
Os personal trainers sustentam que as academias estariam violando princípios do Código de Defesa do Consumidor (CDC), ao restringirem a liberdade de escolha dos alunos e criarem barreiras para o trabalho de profissionais autônomos. “A cobrança de taxas extras para o aluno ser atendido por seu profissional de confiança é uma forma indireta de venda casada, que fere o direito do consumidor e a livre concorrência”, diz o texto da carta.
Na proposta apresentada, os profissionais pedem que a futura lei equipare o tratamento dado a outras categorias da área da saúde. “Impor taxas exorbitantes é impedir o livre exercício da profissão. Médicos não pagam para atender pacientes em hospitais privados, e não há razão para que o personal trainer seja tratado de forma diferente”, argumenta Galvão.
O grupo defende que, caso o pagamento seja mantido, a taxa cobrada seja equivalente ao menor valor de mensalidade praticado pela academia, evitando distorções e assegurando condições justas de trabalho. “Essa medida vai desonerar os profissionais e garantir qualidade de vida para quem cuida da saúde dos outros”, completa.
A mobilização dos personal trainers busca sensibilizar os parlamentares estaduais e abrir debate sobre a regulamentação da atividade no Amazonas, onde a profissão é exercida, em grande parte, por autônomos sem vínculo direto com as academias.
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