
Foto: Elinaldo Tavares
PETA CID
Especial para o Portal do Marcos Santos
Com uma apresentação marcada por emoção, a força da cultura popular e a grandiosidade cênica, o Boi Caprichoso abriu a primeira noite do Festival de Parintins com o tema “Brinquedo que Canta Seu Chão”, reafirmando que o maior território do Caprichoso está dentro de cada torcedor: um lugar onde a tradição, a cultura e o amor pelo boi seguem vivos, atravessando gerações.
Com o subtema “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem”, o boi da estrela exaltou Parintins e seu jeito próprio de existir, a terra que guarda memórias nas ruas e que transforma o dia a dia em celebração. Cantou um chão tecido por memórias, promessas e afetos, território de ancestralidade e luta.

Fotos: Elinaldo Tavares
A abertura foi impactante e a galera explodiu com a participação dos corpos cênicos que engrandecem o espetáculo para reafirmar na dança e nas toadas que é desse chão que nasce o Caprichoso, um brinquedo que canta sua terra com orgulho e pertencimento e o saber dos povos da floresta que aprenderam a transformar sua identidade em arte.
No módulo aéreo do auto do boi trouxe o Boi Caprichoso, o Apresentador Edmundo Oran, o Levantador de Toadas, Patrick Araújo, Pai Francisco e Mãe Catirina para dar início ao espetáculo. A galera cantou em uma só voz a toada Brinquedo que Canta seu Chão, num momento de extrema alegria, antes do anúncio do Rufar do Tambor, com o marujeiro Bacuri. Patrick Araújo soltou a voz, interagindo com o show nas arquibancadas.

Foto: Elinaldo Tavares
A primeira alegoria, da Figura Típica Regional, assinada pelos artistas Preto e Paulo Pimental, emocionou o público ao levar para a arena Brincador de Boi, representando a essência do folguedo popular. O Caprichoso homenageou aqueles que mantêm viva a tradição do boi-bumbá, lembrando que é nas comunidades e nos brincantes que o espetáculo encontra sua origem. Figuras como Roque Cid, Luiz Gonzaga, Luiz Pereira, dona Sila Marçal, a ex-sinhazinha Karina Cid, estavam presentes na alegoria que também teve a participação das crianças da escolinha de Artes do Caprichoso.
A presença da velha guarda do boi da Calçada da Fama na representação do Boi de Rua, revivendo a brincadeira nos terreiros iluminados por lamparinas, com os bonecos gigante e dona Aurora. A toada Lá Vem o Boi contagiou a arena revivendo a simplicidade da brincadeira de boi.

Foto: Elinaldo Tavares
Da Alegoria surgiram o Amo do Boi, a Porta-estandarte Marcela Marialva e a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid que além de valsar e bailar com o boi, protagonizou a cena mais impactante da apresentação, flutuando plataforma de evolução, levando a galera ao delirio. Foi um dos momentos mais simbólicos e emocionantes da apresentação.
A narrativa seguiu pela força do imaginário amazônico e a arena foi tomada pela imponência da Lenda da Cobra Grande, que habita debaixo de Parintins, é guardiã e senhora das encantarias. A alegoria de movimentos perfeitos e grande impacto visual, foi assinada pelo artista Alex Salvador. Dela surgiu a Cunhã-Poranga Marciele Munduruku, representando o encantamento da grande cobra, a beleza e a força feminina presentes nas lendas da floresta. Sua evolução marcante uniu beleza, força e ancestralidade.

Foto: Elinaldo Tavares
Outro momento de destaque foi a entrada do Monstro Correntão, do artista Nildo Souza, uma alegoria representando as ameaças à floresta e expansão predatória que utiliza uma pesada corrente atada a dois tratores e de esteira que, ao avançarem simultaneamente, arrastam e derrubam tudo o que encontram pela frente.
A alegoria trouxe a Rainha do Folclore Cleise Simas que se liberta da prisão para defender a floresta. Com presença cênica e elegância, Cleise protagonizou uma evolução intensa, reafirmando a força das a riqueza das representações folclóricas amazônicas.
A performance dos curupiras inspiraram este momento coreográfico com uma encenação de encher os olhos.

Foto: Elinaldo Tavares
Encerrando os grandes quadros da noite, o Caprichoso trouxe os tuxauas e apresentou o Wat’amã, Ritual da Tucandeira, um importante rito de passagem Sateré-Mawé, povo habitante dos rios Andirá e Marau, alegoria do artista Algles Ferreira. O ritual é responsável por marcar a transição dos jovens para a vida adulta. A cerimônia, teve a participação de indígenas da etnia e dos líderes Aldamir Sateré e Nira Sateré, que conduziram os iniciados a utilizarem luvas confeccionadas em palha de arumã e ornamentadas com penas de aves como o gavião e arara. No interior dessas luvas estavam as tucandeiras, cujas ferroadas representam um desafio físico e espiritual que deve ser enfrentado pelos participantes.
O pajé Erick Beltrão participou do rito e em seguida fez a sua evolução como uma grande formiga, recebendo aplauso e incendiando a arquibancada.

Foto: Elinaldo Tavares
O presidente Rossy Amoedo disse que o boi entrou forte, com uma apresentação super positiva e inovadora. “Saio feliz, tivemos momentos incríveis no ritual, na lenda, coreografias incríveis. A nossa sinhazinha flutuando na arena junto com o boi, nossa Marujada tocando de frente para os jurados, um padrão de grande espetáculo. O nosso povo precisa desse espetáculo. Amanhã tem mais um grande espetáculo”, afirmou.
O presidente do Conselho de Artes, Ericky Nakanome estava muito feliz. “Eu brinquei muito, foi um apresentação fantástica, o Caprichoso levar uma plataforma para dar segurança aos nossos itens, sem atropelar ninguém, foi de uma competência técnica incrível, um repertório aue mexia com a nossa memória, provando que o Caprichoso é um boi de tradição e raiz. Ele Estou muito feliz, Caprichoso preparado, bonito e campeão”, avaliou.

Foto: Elinaldo Tavares

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