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A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a operação Holograma, que resultou na prisão de três pessoas suspeitas de usar inteligência artificial (IA) para falsificar biometrias faciais de vítimas e adquirir veículos financiados em concessionárias. As prisões ocorreram em Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG). Esse é o primeiro caso registrado no estado envolvendo esse tipo de fraude.
De acordo com as investigações, o grupo aplicava golpes em moradores do Amazonas e de outros quatro estados. Em Ribeirão Preto, foram detidos um homem de 38 anos e uma mulher de 32 anos. Já em Uberlândia, foi presa temporariamente uma mulher de 29 anos, apontada como integrante de uma facção criminosa ligada também ao tráfico de drogas no Sudeste.
Segundo o delegado Cícero Túlio, a operação foi resultado de dois meses de apurações após denúncias de vítimas que tiveram veículos financiados em seus nomes sem autorização. O esquema utilizava a plataforma Gov.br para validação biométrica, onde os criminosos aplicavam uma técnica conhecida como “plástica digital”. Essa prática consistia em sobrepor o rosto das vítimas em fotos e vídeos, criando falsos hologramas com auxílio de IA para burlar a confirmação facial exigida nos processos de financiamento.
As informações pessoais das vítimas eram coletadas em bancos de dados abertos, incluindo fotografias, e posteriormente manipuladas em plataformas digitais. Com isso, os criminosos conseguiam aprovação para a compra de veículos novos, que eram financiados integralmente. Os automóveis seguiam para São Paulo e Minas Gerais, onde eram comercializados ou usados em outras atividades ilícitas.
Todos os presos possuem antecedentes criminais. A suspeita identificada apenas como Luana já havia sido investigada em Minas Gerais por tentativa de homicídio em 2016. A polícia também apura a participação de outro homem ligado ao grupo, que já foi preso oito vezes e pode ter atuado como mentor na clonagem das biometrias.
Três veículos foram recuperados durante a operação.
Os acusados vão responder por estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos e falsidade ideológica. O prejuízo causado pela quadrilha ainda está sendo calculado, mas estima-se que os valores sejam milionários.
A Polícia Civil continua investigando para identificar outros envolvidos e possíveis conexões do esquema com o tráfico de drogas interestadual.
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