
Como era a família de Djidja Cardoso, antes de chegar ao fundo do poço pelas drogas. Foto: Divulgação
O caso que hoje volta ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) começou em 29 de maio de 2023, quando a empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, foi encontrada morta em Manaus, vítima de overdose de cetamina. A morte escancarou um enredo de drogas, alucinações religiosas e práticas suspeitas, transformando o nome de uma das famílias mais conhecidas de Parintins em sinônimo de tragédia.
No rastro da investigação, a polícia prendeu a mãe, Cleusimar de Jesus Cardoso, e o irmão, Ademar Farias Cardoso Neto, acusados de tráfico e associação criminosa. O choque público cresceu quando veio à tona que Cleusimar, já presa, foi flagrada tentando entrar com mais quetamina escondida nas partes íntimas.
A bizarrice do caso ganhou contornos ainda mais fortes quando, na cadeia, Cleusimar afirmou que a filha ressuscitaria “no terceiro dia”, repetindo frases místicas que rodaram as redes sociais e reforçaram a imagem de um núcleo familiar em colapso.
Desde então, Cleusimar e Ademar estão encarcerados há mais de um ano. As investigações tiveram ampla cobertura da imprensa acompanhando passo a passo a degradação da família e os desdobramentos criminais.
Agora, a defesa — conduzida pelo advogado Luke Pacheco — tenta reverter o quadro. O pedido ao TJAM alega nulidades processuais, como a ausência de laudo preliminar no flagrante, exigido pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), e a juntada de laudos toxicológicos sem ciência dos advogados. Também questiona a exposição midiática inicial, que teria favorecido um pré-julgamento da família.
Há ainda críticas à condução do caso pelo juiz de primeira instância. O Ministério Público, em 2024, chegou a recomendar a soltura de Ademar, alegando ausência de risco à ordem pública.
O Tribunal de Justiça do Amazonas avalia agora se houve vícios insanáveis no processo. Para os advogados, nenhum julgamento pode ser mantido sem que a defesa tenha ciência das provas. A eventual anulação não significaria absolvição automática, mas abriria caminho para um novo julgamento.
A defesa insiste que Ademar e Cleusimar foram vítimas de perseguição e julgamento antecipado. O TJAM, ao analisar as alegações, cumpre o papel de zelar pelo devido processo legal e pela correção de erros que podem comprometer a credibilidade da Justiça.
O caso Djidja Cardoso virou uma saga macabra que mistura fama, drogas, colapso familiar e justiça lenta. A mãe que acreditou na ressurreição da filha, o irmão envolvido em suspeitas de tráfico, e a figura de uma jovem conhecida no boi-bumbá agora se transformam em um processo que pode redefinir os rumos da família.
A decisão do TJAM ainda não tem data para ser proferida, mas a defesa pressiona para que Cleusimar e Ademar deixem a prisão. Enquanto isso, a memória de Djidja segue como ferida aberta no imaginário do Garantido e no cotidiano dos amazonenses.
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