22/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Defesa tenta libertar mãe e irmão de Djidja Cardoso

Publicado em 06 de setembro, 2025

Como era a família de Djidja Cardoso, antes de chegar ao fundo do poço pelas drogas. Foto: Divulgação

O caso que hoje volta ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) começou em 29 de maio de 2023, quando a empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, foi encontrada morta em Manaus, vítima de overdose de cetamina. A morte escancarou um enredo de drogas, alucinações religiosas e práticas suspeitas, transformando o nome de uma das famílias mais conhecidas de Parintins em sinônimo de tragédia.

No rastro da investigação, a polícia prendeu a mãe, Cleusimar de Jesus Cardoso, e o irmão, Ademar Farias Cardoso Neto, acusados de tráfico e associação criminosa. O choque público cresceu quando veio à tona que Cleusimar, já presa, foi flagrada tentando entrar com mais quetamina escondida nas partes íntimas.

A bizarrice do caso ganhou contornos ainda mais fortes quando, na cadeia, Cleusimar afirmou que a filha ressuscitaria “no terceiro dia”, repetindo frases místicas que rodaram as redes sociais e reforçaram a imagem de um núcleo familiar em colapso.

Prisão, exposição e irregularidades

Desde então, Cleusimar e Ademar estão encarcerados há mais de um ano. As investigações tiveram ampla cobertura da imprensa acompanhando passo a passo a degradação da família e os desdobramentos criminais.

Agora, a defesa — conduzida pelo advogado Luke Pacheco — tenta reverter o quadro. O pedido ao TJAM alega nulidades processuais, como a ausência de laudo preliminar no flagrante, exigido pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), e a juntada de laudos toxicológicos sem ciência dos advogados. Também questiona a exposição midiática inicial, que teria favorecido um pré-julgamento da família.

Há ainda críticas à condução do caso pelo juiz de primeira instância. O Ministério Público, em 2024, chegou a recomendar a soltura de Ademar, alegando ausência de risco à ordem pública.

TJAM analisa nulidades

O Tribunal de Justiça do Amazonas avalia agora se houve vícios insanáveis no processo. Para os advogados, nenhum julgamento pode ser mantido sem que a defesa tenha ciência das provas. A eventual anulação não significaria absolvição automática, mas abriria caminho para um novo julgamento.

A defesa insiste que Ademar e Cleusimar foram vítimas de perseguição e julgamento antecipado. O TJAM, ao analisar as alegações, cumpre o papel de zelar pelo devido processo legal e pela correção de erros que podem comprometer a credibilidade da Justiça.

Uma história que não acaba

O caso Djidja Cardoso virou uma saga macabra que mistura fama, drogas, colapso familiar e justiça lenta. A mãe que acreditou na ressurreição da filha, o irmão envolvido em suspeitas de tráfico, e a figura de uma jovem conhecida no boi-bumbá agora se transformam em um processo que pode redefinir os rumos da família.

A decisão do TJAM ainda não tem data para ser proferida, mas a defesa pressiona para que Cleusimar e Ademar deixem a prisão. Enquanto isso, a memória de Djidja segue como ferida aberta no imaginário do Garantido e no cotidiano dos amazonenses.

Assuntos relacionados nesta matéria:

#DjidjaCardoso, #TJAM, #CleusimarCardoso, #AdemarCardoso, #Garantido, #Justiça, #Amazonas, #Ketamina

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.