12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amom processa Meta por censura após denunciar tolerância com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes

Publicado em 12 de agosto, 2025

Foto: Divulgação

O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) ingressou com ação judicial contra a Meta Platforms Inc., controladora do Instagram e Facebook, após ter sido alvo de punições extremas e desproporcionais nas suas redes sociais logo após denunciar a permanência de conteúdo de exploração sexual infantil nas plataformas da empresa.

Segundo a petição inicial, a restrição ocorreu um dia depois da publicação de um vídeo em que o parlamentar, no exercício de seu mandato, alertava sobre a conivência das “big techs” com esse tipo de crime e apresentava seu projeto de lei para endurecer a legislação contra a exploração de crianças e adolescentes on-line.

A Meta removeu o conteúdo dos stories, acusando-o – de forma que o deputado classifica como “indevida e caluniosa” – de expor crianças de forma sexualizada. Além disso, impôs a proibição de realizar ou participar de transmissões ao vivo por um ano, impedimento de criar anúncios e o bloqueio do envio e resposta de mensagens privadas (direct), canal utilizado para atender demandas da população.

Denúncia

Amom afirma que nunca publicou qualquer imagem ou vídeo que sexualizasse menores, mas sim uma denúncia para retirá-los do ar. “A plataforma puniu quem denuncia, mas mantém no ar o que realmente deveria combater”, critica.

O parlamentar ressalta que, além de ser assinante do serviço pago Meta Verified, que promete suporte e proteção adicionais, sequer teve acesso ao atendimento prioritário. Na ação, pede a remoção imediata de todas as restrições, indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil e que a empresa seja responsabilizada pela violação à sua honra, imagem e à sua função pública.

A medida, segundo a defesa, é urgente, pois as punições prejudicam diretamente a comunicação do deputado com seus eleitores, inviabilizando o uso pleno de ferramentas essenciais para sua atuação. “Trata-se de um ato de retaliação contra quem expõe crimes graves e cobra responsabilidade das plataformas digitais”, reforça Amom.

A atuação do parlamentar no tema não começou agora. Desde 2023, Amom é autor do PL 4102/2023, que proíbe a veiculação de material sexual ou adulto capaz de induzir à sexualização precoce de crianças e adolescentes. A proposta impõe obrigações rigorosas a redes sociais, serviços de streaming, aplicativos de mensagens e jogos eletrônicos, incluindo filtragem de conteúdo, canais de denúncia com prazo máximo de 12 horas para resposta e penalidades severas para plataformas reincidentes.

SNPRAI

Em julho deste ano, o deputado apresentou o PL 3417/2025, que amplia e aperfeiçoa o projeto anterior, criando o Sistema Nacional de Prevenção e Repressão ao Abuso Sexual Infantil On-line (SNPRAI), fortalecendo a Central Nacional de Denúncias da SaferNet e obrigando as plataformas a detectar proativamente conteúdos ilícitos, notificar imediatamente as autoridades, preservar provas digitais e publicar relatórios de transparência semestrais.

“Não podemos aceitar que a lógica de engajamento das plataformas continue empurrando para nossas crianças conteúdos que destroem a infância. O direito à dignidade, à saúde e à segurança de crianças e adolescentes está acima de qualquer algoritmo”, afirma o parlamentar.

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