11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Operação do MPAM prende perito e PMs suspeitos de integrar milícia em Manaus

Publicado em 29 de julho, 2025

Operação do MPAM prende perito e PMs suspeitos de integrar milícia em Manaus

Entre os presos estão PMs da Força Tática, das Cicoms e um perito da Polícia Civil (Foto: Divulgação)

Nove pessoas foram presas na manhã desta terça-feira (29/07) durante a Operação Militia, deflagrada pela 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp) do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). Entre os detidos estão oito policiais militares — quatro da Força Tática e outros lotados em Companhias Interativas Comunitárias (Cicoms) — e um perito da Polícia Civil, que teve prisão temporária revogada horas depois, após colaborar com as investigações.

A operação cumpriu nove mandados de prisão — sendo oito preventivas e uma temporária — e 16 mandados de busca e apreensão, realizados nas residências dos investigados e na sede da Força Tática, localizada no Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), no bairro Praça 14 de Janeiro, zona sul de Manaus. A ação mobilizou 150 agentes das Polícias Civil e Militar do Amazonas, com apoio do Centro Operacional de Inteligência, Investigação e Combate ao Crime Organizado (Caocrimo).

De acordo com o MPAM, os suspeitos integram uma organização criminosa com características de milícia urbana, que utilizava a estrutura e o poder das instituições de segurança pública para praticar crimes como roubo, extorsão e sequestro em bairros periféricos da capital. Comerciantes, moradores e até criminosos rivais eram coagidos a pagar valores ao grupo. Durante a operação, foram apreendidos 14 pistolas, um revólver, três fuzis, um fuzil de airsoft, 653 munições, 14 celulares, três veículos e R$ 10.695 em espécie. Os armamentos serão periciados e inseridos no Banco Nacional de Balística, a fim de identificar ligações com crimes de homicídio.

A investigação teve início após um sequestro ocorrido em fevereiro de 2025 no bairro Manoa, registrado por populares e amplamente divulgado pela imprensa. A 60ª Proceapsp assumiu o caso ao identificar possível envolvimento de agentes públicos. No curso da apuração, outras duas vítimas foram localizadas, das quais o grupo criminoso teria extorquido cerca de R$ 300 mil.

“A partir desses dois fatos, conseguimos fazer o levantamento das ações e a identificação dos envolvidos. As investigações ainda continuam, com o objetivo de alcançar outros eventuais participantes dessa trama criminosa”, declarou o promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, titular da Proceapsp.

Segundo o MPAM, os alvos dos crimes eram pessoas ligadas a atividades criminosas e seus familiares, de quem o grupo subtraía joias, dinheiro e bens de valor. A investigação busca agora rastrear os valores e objetos roubados, identificar a rota desses pertences e localizar novos envolvidos. “Estamos investigando a possibilidade de que mais pessoas tenham sido vítimas, e com a divulgação, agora, sabendo que os agentes estão presos, tenham coragem de vir denunciar ao MP outras ações desse grupo. Diariamente, o Ministério Público exerce essa atividade de controle externo da atividade policial e, em decorrência disso, conseguimos realizar essas ações de investigação e apreensão de grande quantidade de armamento”, acrescentou Gurgel.

Na coletiva de imprensa realizada na sede do MPAM, além dos promotores Armando Gurgel e Leonardo Tupinambá (coordenador do Caocrimo), participaram o coronel Klinger Paiva, comandante-geral da PMAM, e o coronel José Corrêa Júnior, diretor de Justiça e Disciplina da corporação. À imprensa, o coronel Klinger Paiva reafirmou o comprometimento da instituição com o avanço das investigações. “Desde o início, a PMAM tem apoiado essa ação para que tudo seja esclarecido. Esses oito policiais militares não representam seis mil homens da corporação”, afirmou.

O perito da Polícia Civil, preso temporariamente, foi liberado na tarde desta terça-feira (29/07), após prestar depoimento e colaborar com as investigações. “A prisão temporária tem justamente essa função: permitir que sejam realizadas diligências que exigem o afastamento do investigado, em um ambiente de custódia controlada. Essas medidas foram executadas com sucesso e houve significativa colaboração por parte do perito, o que fez cessar o interesse da manutenção da custódia”, explicou o promotor Armando Gurgel.

Os oito policiais militares continuam sob custódia e a investigação permanece em andamento. Novas prisões não estão descartadas.

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