
Governo considera tema sensível e rejeita negociações privadas enquanto tarifa americana de 50% ameaça setor produtivo brasileiro(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém resistência a um possível acordo com os Estados Unidos envolvendo minerais críticos, como nióbio e lítio, enquanto cresce a pressão em meio à ameaça da tarifa de 50% aplicada por Donald Trump.
Apesar de negociações informais entre o encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, e o setor privado brasileiro, o Palácio do Planalto reforça que qualquer negociação oficial sobre o tema deve ser conduzida exclusivamente pelo governo federal, dada a sensibilidade estratégica dos minerais para o desenvolvimento tecnológico do país.
No ano passado, o governo petista havia discutido uma parceria com a administração de Joe Biden para garantir o fornecimento de minerais críticos em troca de investimentos americanos para agregar valor à matéria-prima no Brasil. No entanto, a proposta foi interrompida com a eleição de Trump e, atualmente, não há clima para retomar o acordo.
Aliados de Lula também avaliam que o ex-presidente Jair Bolsonaro dificilmente aceitaria abrir mão da exploração dos metais raros sem contrapartidas que promovam a industrialização nacional, tema defendido pelo próprio Bolsonaro.
Nesta quinta-feira (24), Lula declarou que Trump não demonstra interesse em negociar, mas afirmou estar aberto ao diálogo com o presidente americano. Enquanto isso, o governo federal prepara um plano de contingência para minimizar os impactos da tarifa, que a indústria brasileira projeta poder gerar até 110 mil desempregos.
A preocupação do governo é que o aumento das tarifas prejudique o emprego, o crescimento econômico e pressione a inflação, ameaçando o cenário positivo de desemprego registrado no primeiro trimestre, com a taxa mais baixa em mais de uma década.
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