
Medidas cautelares determinadas pelo Supremo restringem redes sociais, contatos e exigem permanência domiciliar do ex‑presidente. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Na manhã desta sexta-feira (18 de julho de 2025), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas residências de Jair Bolsonaro, em Brasília, e na sede do Partido Liberal (PL). A ação integra o caso que o acusa de tentativa de golpe contra a posse de Lula, sob a investigação “Operação Contragolpe”.
Além da apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos, o STF impôs a Bolsonaro medidas cautelares alternativas à prisão. Entre elas estão:
Uso de tornozeleira eletrônica 24 horas, monitorando seus deslocamentos.
Proibição de acesso e postagem em redes sociais.
Restrição de locomoção: permanência em casa entre 19h e 7h.
Proibição de comunicação com embaixadores, diplomatas estrangeiros, outros investigados e com o filho Eduardo Bolsonaro, atualmente nos EUA.
Bolsonaro responde a uma ação penal no STF por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano ao patrimônio público e ameaça à ordem democrática. A Procuradoria-Geral da República (PGR) requer sua condenação por cinco crimes, com pena cumulativa que pode ultrapassar 40 anos de prisão.
A decisão do STF e as medidas restritivas foram motivadas, segundo a corte e relatos à imprensa, por temores de fuga e tentativa de asilo nos Estados Unidos, além de possível interferência em diplomáticos e no andamento do processo. O ministro Alexandre de Moraes é o responsável pelo despacho que autorizou o monitoramento e as restrições.
Brasil de Fato
A ofensiva da PF ocorre pouco depois do ex-presidente americano Donald Trump enviar cartas e críticas públicas, classificando o caso como uma “caça às bruxas” e defendendo o brasileiro — além de anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em retaliação às decisões do STF. Trump pediu que o processo fosse suspenso.
No momento, investigações como a “Contragolpe”, lançada em novembro de 2024, apontam que Bolsonaro liderou articulações com militares e civis para interromper a transição de poder em 2023. Em operação anterior (“Tempus Veritatis”), oficiais de alta patente chegaram a ser detidos. Os processos continuam em andamento, com previsão de julgamento final ainda em 2025.