
Cancelamento de encomendas nos EUA pode ter impacto econômico severo para a Embraer. (Foto: Reprodução)
A Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, está soando o alarme: o aumento de tarifas de importação anunciadas pelos Estados Unidos pode ter um impacto comparável ao da pandemia de covid‑19, revela o CEO Francisco Gomes Neto .
Durante coletiva em 15 de julho, Gomes Neto destacou que, no auge da pandemia, a empresa teve uma queda de cerca de 30% na receita e precisou demitir 20% do quadro de funcionários . Agora, a ameaça é diferente: tarifas de 50% sobre aviões exportados aos EUA, seu principal mercado, podendo tornar inviável a venda de modelos como o jato regional E175 .
O impacto financeiro já começa a ser calculado: estima‑se que a tarifa adicionará cerca de R$ 50 milhões por aeronave — ou US$ 9 milhões — e poderá gerar aproximadamente R$ 20 bilhões em encargos até 2030 . A incapacidade de repassar esses custos aos clientes deve resultar em cancelamento de pedidos, adiamento de entregas e revisão do plano de produção, além de queda na geração de caixa e redução de investimentos .
O dilema da Embraer ganha dimensão estratégica, já que 45% de seus jatos comerciais e 70% dos executivos são vendidos nos EUA . “Cinquenta por cento de alíquota é quase um embargo… é mais impactante ainda devido ao alto valor agregado do produto”, lamentou Gomes Neto.