07/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Haddad diz que tarifaço foi urdido por extremistas brasileiros e será revertido

Publicado em 10 de julho, 2025

Haddad diz que tarifaço foi urdido por extremistas brasileiros e será revertido

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (10/7) que o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil não tem base econômica e acusou a família Bolsonaro de urdir a ação a partir do Brasil e dos Estados Unidos. Haddad disse também acreditar que a diplomacia brasileira pode resolver a crise pela via da negociação. 

Durante a conversa com jornalistas, organizada pelo grupo Barão de Itararé, o ministro classificou de irracional a decisão de taxar em 50% produtos brasileiros que os Estados Unidos importam.  

“Olha, eu acredito que essa decisão é uma decisão eminentemente política, porque ela não parte de nenhuma racionalidade econômica. Uma vez que os Estados Unidos, como todos sabem, é superavitário em relação à América do Sul, como um todo, e ao Brasil também”, disse. 

Balança comercial

Haddad relembrou que nos últimos 15 anos a balança comercial tem sido favorável aos norte-americanos, registrando um déficit de bens e serviços de mais de US$ 400 bilhões em desfavor do Brasil.  

O ministro acusou a família Bolsonaro, e mais especificamente o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, de urdir essa movimentação estadunidense contra o Brasil. “A única explicação plausível para o que foi feito ontem, é porque a família Bolsonaro urdiu esse ataque ao Brasil. E com um objetivo específico, que é escapar do processo judicial que está em curso”. 

Na abertura da carta enviada ao Governo do Brasil ontem, o presidente estadunidense aponta o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, parte das investigações sobre o crime de golpe de Estado, como uma razão para o tarifaço.

Articulador

Para Haddad, declarações recentes de Eduardo Bolsonaro apontam o deputado como articulador das sanções que o governo estrangeiro quer impingir ao Brasil e à economia nacional. 

“A única explicação é de caráter político, envolvendo a família Bolsonaro. Isso não é uma acusação infundada que eu estou fazendo. O próprio Eduardo Bolsonaro disse a público que se não vier o perdão, as coisas tenderiam a piorar. Isso ele disse publicamente, fazendo todos nós acreditarmos, até porque não há outra explicação, de que esse golpe contra o Brasil, contra a soberania nacional, ele foi urdido por forças extremistas de dentro do país”, afirmou o ministro brasileiro.

É possível reverter

O ministro disse que, em função da inconsistência econômica do tarifaço e da ação eficaz e permanente da diplomacia e do Governo brasileiros, é possível reverter a decisão do presidente norte-americano.

“Eu não acredito que essa situação vai se manter. Primeiro, porque nós temos uma diplomacia reconhecida no mundo inteiro como uma das mais profissionais. O nosso Itamaraty sabe negociar, sabe sentar à mesa”, afirmou.

Diálogo

O ministro acrescentou que o Governo Federal nunca deixou de negociar e manter canais de diálogo com o governo recém-eleito dos Estados Unidos.

“Você não pode comprometer relação entre estados em função de eventuais divergências que podem e devem ser superadas pela diplomacia brasileira, que está à disposição desde sempre do governo americano para buscar a solução de maior parceria, maior entendimento, como nós sempre fizemos. Fizemos com o governo Biden, durante dois anos, uma aproximação, temos interesses comuns importantes, e nós devemos explorar parcerias que vão enriquecer os dois países, e não atitudes unilaterais que pensam exclusivamente no interesse egoísta, sem pensar na cooperação internacional, sem pensar no multilateralismo”, disse.

União interna

O ministro disse acreditar que os setores produtivos brasileiros vão se unir em defesa do interesse nacional, em detrimento de disputas políticas.

“Eu acredito que [ontem foi] um dia ruim, não resta dúvida, é uma agressão que vai ficar marcada como uma coisa inaceitável e inexplicável, o governo [dos EUA] entrar na onda de um político extremista local para atacar um país, 215 milhões de habitantes, e nós temos, nesse momento, que estarmos unidos, todos unidos, com o setor produtivo, com o agro, com a indústria paulista, que é a mais afetada, nós não podemos discriminar ninguém nesse momento, pelo contrário, os setores já estão procurando o presidente Lula, e eu quero crer que esse tiro no pé vai ser revertido, porque ele é insustentável”.

Ao citar a indústria paulista, que será afetada caso as tarifas de Trump avancem, Haddad argumentou que este será um ponto a demover os extremistas da escalada contra os interesses brasileiros. Para o ministro, uma vez que o estado de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas, comporta base do eleitorado bolsonarista, os extremistas se darão conta que a articulação do tarifaço é um “tiro no pé”.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.