28/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Olhar sobre as águas celebra diversidade artística na Bienal das Amazônias

Publicado em 22 de maio, 2025

Olhar sobre as águas celebra diversidade artística na Bienal das Amazônias

A primeira edição da Bienal das Amazônias está em cartaz em Manaus com o tema “Bubuia: águas como fonte de imaginação e desejo”, reunindo expressões artísticas de diferentes regiões amazônicas, do Brasil e de países vizinhos. As exposições estão abertas à visitação gratuita até o dia 30 de maio, na Galeria do Largo e na Casa das Artes, no Largo São Sebastião, centro, zona sul de Manaus.

A mostra apresenta obras de artistas do Amazonas, Pará, Acre, além de representantes do Peru e da Venezuela, destacando a pluralidade de olhares e linguagens que atravessam o território amazônico. Desde sua abertura, o evento já atraiu mais de 3 mil visitantes e, após a etapa manauara, seguirá para Macapá (AP), com expansão prevista para outros países da Pan-Amazônia.

Experiência

Mais do que uma exposição coletiva, a Bienal se propõe como uma experiência sensível que reflete sobre as águas como elemento vital, simbólico e cultural. A escolha do termo “Bubuia” remete à prática de flutuar — corporal e imaginativamente — sobre os rios da região, evocando tanto o movimento quanto a contemplação. O conceito se inspira no dibubuísmo, pensamento proposto pelo poeta e ensaísta paraense João de Jesus Paes Loureiro, para quem a experiência amazônica se constrói na sobreposição de uma realidade objetiva (imediata) e uma realidade estética e encantatória (mediata).

Adotar o termo “Bubuia” como é também reconhecer a sabedoria ancestral dos povos ribeirinhos e o modo como seus conhecimentos são transmitidos pela oralidade, em íntima conexão com a natureza e o cotidiano das águas. O gesto de bubuiar — deixar-se levar pela correnteza, sem resistência — é entendido aqui como uma filosofia de vida, de resistência e de adaptação.

Galeria do Largo

Cristóvão Coutinho, diretor da Galeria do Largo, reforça o papel da Bienal como espaço de valorização artística e identidade regional. “Receber esses projetos é reafirmar nosso compromisso com a diversidade cultural e com o desenvolvimento humano. A arte, aqui, é um canal para gerar valores e promover diálogos em um contexto multidisciplinar e internacional, onde a riqueza amazônica é o ponto central”, declara.

A Bienal das Amazônias surge como um espaço de convergência entre arte, ecologia, ancestralidade e crítica social, propondo uma escuta atenta às vozes que habitam os rios e as florestas. Artistas, pesquisadores e comunidades locais são convidados a partilhar reflexões sobre território, pertencimento e futuro — em uma narrativa onde a arte atua como ponte entre mundos visíveis e invisíveis.

As visitas à Galeria do Largo e à Casa das Artes podem ser realizadas de quarta a domingo, das 15h às 20h. A entrada é gratuita.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.