03/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MDHC reforça compromisso com direitos sociais no Dia Nacional e Mundial da Síndrome de Down

Publicado em 22 de março, 2025

Foto: Divulgação

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) reafirma, nesta sexta-feira (21/3), seu compromisso com o protagonismo das pessoas com deficiência e convida a sociedade a refletir sobre o Dia Mundial e Nacional da Síndrome de Down e o enfrentamento ao capacitismo ao compartilhar histórias de vida de pessoas com essa condição genética.

A data foi escolhida por um motivo simbólico: 21/3 representa a trissomia do cromossomo 21, característica da síndrome. O Dia Mundial da Síndrome de Down foi estabelecido em 2006 pela organização Down Syndrome International (DSI) e, em 2011, foi oficialmente reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, a data também faz parte do calendário oficial e reforça a importância de promover a inclusão, garantindo o acesso a oportunidades e a participação plena na sociedade.

O dia é marcado pela campanha Lots of Socks (Muitas Meias), que foi criada em 2013. A iniciativa convida pessoas do mundo todo a usarem meias coloridas, trocadas ou divertidas como símbolo da diversidade, promovendo a conscientização e o respeito às diferenças.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 300 mil pessoas com síndrome de Down no Brasil. A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Anna Paula Feminella, ressalta que o dia 21 de março é uma data importante para fortalecer o compromisso com a inclusão e o enfrentamento ao capacitismo, uma prioridade do Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Novo Viver sem Limite.

“Os dados do IBGE apontam que, do número total de pessoas com síndrome de Down, apenas 5,3% estão no mercado de trabalho. Isso reflete desafios estruturais persistentes, apesar dos avanços na legislação e das políticas públicas. Nesse sentido, o governo federal atua para ampliar o acesso das pessoas com deficiência a direitos fundamentais”, afirma.

Histórias de vida e representatividade

Para Jéssica Mendes Figueiredo, fotógrafa que atua na Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD/MDHC), a inclusão deve ser um compromisso de toda a sociedade. “O que eu espero para o futuro é que as pessoas com deficiência possam viver em um mundo mais inclusivo, que valorize seu protagonismo e elimine estereótipos. É preciso combater o capacitismo e garantir que todos tenham autonomia para resolver suas questões e participar plenamente da sociedade”, afirma.

Nos últimos anos, ela participou da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do D-20 e de oficinas sobre políticas públicas. “Também estive na ONU, em Viena, representando a Escola de Gente. Essas experiências ampliaram minha visão sobre a importância da nossa participação social”, relata.

Além de atuar na gestão pública, Jéssica realiza cursos sempre que possível, é fotógrafa e compartilha seu trabalho nas redes sociais. Ela tem um perfil (@asaseflores) dedicado a fotografias que faz dos parques e áreas verdes de Brasília. “Eu posto fotos da natureza, dos parques e espaços verdes da cidade, que muitas vezes passam despercebidos. Acho importante mostrar esse lado da cidade que poucos valorizam”, comenta.

A visibilidade e a representatividade desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão, ajudando a combater estereótipos e ampliando a participação das pessoas com deficiência em diferentes espaços da sociedade. Fernanda Honorato, por exemplo, é reconhecida pelo RankBrasil como a primeira repórter com síndrome de Down do país.

“Desde 2007, sou repórter do Programa Especial da TV Brasil, levando informação e promovendo a inclusão. Viajei por várias capitais do Brasil e também fiz reportagens internacionais, incluindo na ONU, nos Estados Unidos, e em Portugal. Amo minha profissão e sempre gostei de fazer entrevistas”, detalha Fernanda, que já conversou com grandes nomes da cultura nacional, como Maria Bethânia, Chico Buarque e Glória Maria.

Além de atuar no jornalismo, Fernanda é atriz e participou do carnaval como a primeira rainha de bateria de uma escola de samba voltada para pessoas com deficiência, a Embaixadores da Alegria, que abre os desfiles das campeãs no Rio de Janeiro. Sua trajetória pode ser acompanhada pelo perfil @fernandahonorato_01.

Maria do Carmo Honorato, mãe de Fernanda, relembra os desafios enfrentados desde o nascimento da filha e a falta de informações na época. “Quando minha filha nasceu, em 1980, eu não conhecia nada sobre o assunto. Não havia internet e as informações eram escassas. A única referência que encontrei foi em uma enciclopédia médica da época, que trazia termos inadequados. Desde então, lutei para garantir que minha filha tivesse oportunidades e fosse reconhecida por suas capacidades”, relata.

A influenciadora digital Vitória Mesquita destaca que a informação correta é fundamental para combater o capacitismo. Em 2021, ela criou a campanha #AtualizaGoogle, que resultou na alteração da definição da síndrome na plataforma, de “doença” para “condição genética”. Seu trabalho de conscientização pode ser encontrado no perfil @hey.viti.

“As palavras influenciam nossas ações e pensamentos. Queríamos corrigir um significado equivocado para que as pessoas entendessem a trissomia 21 corretamente. Isso tem um impacto direto na nossa vida. Imagine uma mãe recebendo a notícia sobre seu filho e pesquisando sobre o tema? Agora, ela terá acesso a informações corretas e poderá lidar da melhor forma”, explica Vitória.

Lúcio Piantino, artista plástico, ator e dançarino de Brasília, iniciou sua carreira aos 13 anos e já expôs seus quadros na Itália. “Faço minhas pinturas desde o início da minha trajetória. Foi muito bom expor no exterior. Também atuei em diversas peças de teatro e sigo ampliando minha carreira como artista”, diz Lúcio. Atualmente, ele se prepara para a peça “Conversa de Drags”, no Teatro Sílvio Barbato, no Sesc do Setor Comercial Sul, em Brasília, nos dias 10 e 11 de junho, às 19h. “Vai ser muito bom! Estão todos convidados”, chama Lúcio. Mais informações sobre sua carreira artística podem ser encontradas no perfil @luciopiantino.

Outras iniciativas

O Brasil avança na construção de uma sociedade mais justa e acessível por meio de políticas públicas e ações da sociedade civil que ampliam direitos e enfrentam o capacitismo. Entre as principais iniciativas, está o Novo Viver sem Limite, lançado em novembro de 2023 pelo governo federal. Com um investimento de R$ 6,5 bilhões, o plano prevê 95 ações voltadas à gestão pública, acessibilidade, enfrentamento à violência e ao capacitismo, além da garantia de direitos fundamentais, como educação, saúde e assistência social.

No campo da sociedade civil, também destaca-se o projeto Eu Me Protejo, criado pela jornalista Patrícia Almeida. Desenvolvido por uma equipe multidisciplinar e voluntária, o material ensina crianças e adolescentes a reconhecerem situações de risco e violência, promovendo a autoproteção e o acesso à informação de forma acessível. A iniciativa conta com o apoio de diversas organizações e está disponível gratuitamente no site www.eumeprotejo.com.

Sala de Descompressão

Para marcar o Dia Nacional e Internacional da Síndrome de Down, a SNDPD inaugura, nesta sexta-feira (21/3), uma Sala de Descompressão para os colaboradores, reforçando a importância de ambientes acessíveis e inclusivos. A iniciativa busca promover o bem-estar, a saúde mental e a qualidade de vida no ambiente de trabalho.

Agência Gov

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