19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Incentivo ao refino do petróleo no Norte é dez vezes menor do que calculam defensores do veto presidencial, aponta estudo

Publicado em 15 de janeiro, 2025

Estudo do professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, conclui que o incentivo para manter o refino do petróleo entre os bens e os serviços produzidos na Zona Franca de Manaus (ZFM) deverá gerar uma isenção fiscal da ordem de R$ 298,3 milhões anuais.

O estudo de Márcio Holland contradiz um outro divulgado recentemente que indicava um valor dez vezes maior. Ao pedir o veto ao artigo que estende os incentivos fiscais da Zona Franca ao setor de refino – o que era permitido desde o decreto que criou a ZFM –, entidades divulgaram que a isenção fiscal “pode levar a uma perda de arrecadação de R$ 3,5 bilhões por ano”. Esse dado de R$ 3,5 bilhões, portanto, não condiz com a realidade.

De acordo com o economista Márcio Holland, o custo é dez vezes menor. Na metodologia, o professor da FGV explica que a base deste cálculo é o volume financeiro de R$ 3,38 bilhões anual e CBS em 8,8%, como projetado pelo Ministério da Fazenda.

A segurança energética na região Norte depende da manutenção dos incentivos fiscais, aprovados pelo Congresso Nacional, na reforma tributária. O estudo avalia que sem esse incentivo fiscal, a indústria de refino não é economicamente viável, tornando a região Norte completamente dependente de importação de combustíveis.

O projeto deve ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até 16 de janeiro e precisa manter o incentivo ao combustível dentro da Zona Franca. “Calculamos que, no caso específico da Zona Franca de Manaus, a ausência de uma indústria de refino de petróleo atrelada ao Polo Industrial de Manaus, com capacidade mínima de processamento e geração de derivados do petróleo, coloca em risco milhares de empregos urbanos, bem como acesso a bens e serviços das populações ribeirinhas”, aplica Márcio Holland em seu relatório.

Atividade de refino no Brasil é altamente concentrada e distante da Amazônia
Diferentemente dos Estados Unidos e da Europa, a atividade de refino no Brasil é altamente concentrada e distante da Amazônia, sendo que mais de 98% se realizam longe dos principais centros populacionais do Norte brasileiro. O refino na Região Norte representa menos de 2% da capacidade de refino nacional e tem custos operacionais adicionais maiores do que em outras regiões do Brasil.

Há dois custos relevantes, um associado com a importação de petróleo de fora da Amazônia e outro com custos do gás natural, para operar principalmente como fonte de calor, energia e insumo na produção de hidrogênio. Esses custos adicionais foram estimados em aproximadamente R$ 344,4 milhões, valor superior ao incentivo fiscal previsto com a inclusão da atividade de refino de petróleo no contexto da Zona Franca.

Desta forma, o incentivo fiscal não distorce a competitividade do setor, mas apenas garante isonomia competitiva entre a operação na Zona Franca de Manaus e o restante do Brasil. Essa é uma das conclusões do estudo do economista Márcio Holland. Os dados e a metodologia podem ser encontrados no documento “A importância da promoção da atividade de refino de petróleo na Zona Franca de Manaus”.

Veja mais notícias em Economia

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.