21/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Justiça do AM avança em decisão para retirada de flutuantes no rio Tarumã

Publicado em 08 de janeiro, 2025

A Vara do Meio Ambiente do Amazonas decidiu retomar os esforços para a remoção dos flutuantes irregulares localizados no rio Tarumã-Açu, na margem esquerda do rio Negro, em Manaus. Em decisão assinada no último dia 5 de dezembro, o juiz Moacir Pereira Batista estabeleceu um prazo de cinco dias para que o Ministério Público do Amazonas (MPAM) se manifeste sobre os próximos passos do processo.

A decisão ocorre em um contexto de disputa judicial que já dura mais de duas décadas. O MPAM ingressou com a ação em 2001, julgada procedente em 2004, mas que teve a execução da sentença atrasada por inúmeros recursos. Segundo dados do MP, o número de flutuantes na área saltou de 40 para cerca de 1.000 no período, ampliando os impactos ambientais.

Histórico Judicial

A ordem de remoção havia sido emitida originalmente em julho de 2023, com o objetivo de retirar todas as embarcações em fases, começando pelas de lazer, locação ou recreação. No entanto, a Prefeitura de Manaus relatou dificuldades financeiras e logísticas para executar a decisão, estimando os custos em R$ 16 milhões. A prefeitura notificou 913 embarcações, mas não concluiu a retirada dentro do prazo estipulado, o que gerou multa diária de R$ 500 mil.

Em meio ao impasse, os donos de flutuantes suspenderam atividades durante a severa estiagem de 2023, mas retomaram o uso das embarcações no início de 2024, com a subida das águas do rio Negro. A situação foi agravada em junho, quando a desembargadora Joana Meirelles, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), suspendeu temporariamente a ordem de desmonte, considerando os riscos sociais e o impacto em serviços essenciais como moradias, escolas e postos de saúde.

Em dezembro de 2024, entretanto, o TJAM decidiu, em caráter definitivo, que o interesse coletivo e a proteção ambiental prevalecem sobre interesses individuais e econômicos. A decisão de Moacir Pereira Batista, agora reforçada, busca dar continuidade à execução da sentença e desobstruir o rio Tarumã-Açu.

Próximos Passos

Com a nova determinação, a prefeitura e os donos de flutuantes enfrentarão maior pressão para cumprir a ordem judicial. A manifestação do MPAM nos próximos dias deve determinar os rumos imediatos da ação, enquanto os órgãos ambientais e de fiscalização deverão intensificar as operações na área.

Impactos Ambientais e Sociais

A presença dos flutuantes no rio Tarumã-Açu gera preocupações ambientais, como a poluição das águas e a degradação de áreas sensíveis. Por outro lado, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) argumenta que muitos desses flutuantes também têm função social, servindo como moradias e centros de serviços para comunidades ribeirinhas.

A remoção dos flutuantes, portanto, representa um desafio complexo, envolvendo a necessidade de conciliar proteção ambiental, interesses econômicos e direitos das populações locais.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.