
Foto: Reprodução X/Nicolás Maduro
A poucos dias da posse de Nicolás Maduro para um terceiro mandato presidencial (2025-2031), a Venezuela está no epicentro de uma crise diplomática e política internacional. A retirada de representantes diplomáticos venezuelanos do Paraguai, acusações de complô por parte da Argentina e apoio internacional ao opositor Edmundo González são os principais elementos deste cenário tenso.
O governo venezuelano decidiu retirar seus representantes diplomáticos do Paraguai após declarações do presidente Santiago Peña em apoio a Edmundo González, que alega ser o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais de 2024. Peña também defendeu a posse do opositor no dia 10 de janeiro, data em que Maduro será oficialmente empossado. Em resposta, Caracas acusou o Paraguai de violar o princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros países.
“É lamentável que governos como o do Paraguai continuem a subordinar sua política externa aos interesses de potências estrangeiras, promovendo agendas que visam minar os princípios democráticos e a vontade dos povos livres”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela. Por outro lado, o governo paraguaio exigiu a retirada do embaixador venezuelano em Assunção e reiterou o reconhecimento de González como presidente eleito.
Nicolás Maduro também acusou o governo argentino, liderado por Javier Milei, de articular ações desestabilizadoras contra a Venezuela, incluindo um suposto plano para assassinar a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez. Segundo Maduro, os serviços de inteligência capturaram 125 mercenários de 25 nacionalidades envolvidos em atividades terroristas no país.
“O governo argentino está envolvido nos planos violentos de atentar contra a paz da Venezuela. Assim eu denuncio”, declarou Maduro. O governo de Javier Milei ainda não respondeu às acusações, mas tem se destacado como crítico do regime venezuelano e apoiador de González.
Edmundo González, exilado na Espanha, ganhou apoio significativo em cenários internacionais. Nos Estados Unidos, reuniu-se com o presidente Joe Biden, que o reconheceu como “presidente eleito da Venezuela” e defendeu uma transição pacífica de poder. Em Buenos Aires, González foi recebido por Milei, reforçando a postura crítica da Argentina em relação ao governo Maduro.
Na última semana, González também se encontrou com Mike Waltz, assessor de segurança do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, discutindo os protestos planejados para 9 de janeiro, véspera da posse de Maduro. González prometeu retornar à Venezuela antes dessa data, mesmo com a ameaça de prisão pelo governo.
O governo mexicano anunciou o envio de um representante à posse de Maduro, destacando o princípio de autodeterminação dos povos. O Brasil e a Colômbia, que não reconheceram oficialmente a eleição de Maduro devido à falta de transparência nos dados eleitorais, também planejam enviar representantes diplomáticos, caso sejam convidados.
As eleições de 2024 na Venezuela continuam sendo objeto de polêmica. A oposição e diversos países alegam irregularidades, como a ausência de auditorias previstas e a não divulgação de resultados por mesa eleitoral. Por outro lado, o governo defende que o pleito foi ratificado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), exigindo respeito às instituições venezuelanas.
Os protestos pós-eleições resultaram em dezenas de mortes e mais de dois mil presos. Nas últimas semanas, a justiça venezuelana libertou mil manifestantes, enquanto o governo segue reforçando sua posição contra interferências estrangeiras.
Com mais de dois mil convidados internacionais confirmados, a posse de Maduro promete ser um evento marcante em meio à crescente tensão política na região.
Com informações da Agência Brasil