09/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Assad foge para Rússia e vai receber asilo após tomada do poder na Síria

Publicado em 08 de dezembro, 2024

Assad foge para Rússia e vai receber asilo após tomada do poder na Síria

O presidente deposto da Síria, Bashar al-Assad, foi para Moscou, na Rússia, após fugir de Damasco, a capital da Síria, segundo a mídia estatal russa.

A Rússia era uma aliada-chave do regime de Assad – o ex-presidente e sua família agora receberão asilo no país.

Assad fugiu quando o grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS) invadiu a capital neste fim de semana. No domingo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia confirmou que Bashar al Assad deixou o cargo e o país após negociações com “outros participantes do conflito armado” e que deu instruções para uma transferência pacífica de poder.

Líder rebelde

O líder rebelde Abu Mohammed al-Jawlani discursou para multidões animadas em uma mesquita de Damasco e fez um pronunciamento na TV estatal síria neste domingo (8/12) em que disse que não há espaço para voltar atrás e que “o futuro é nosso”.

Os repórteres disseram que multidões foram às ruas de Damasco para celebrar a queda de Assad, e que algumas pessoas foram vistas saqueando a residência presidencial.

O grupo rebelde sírio HTS anunciou um toque de recolher em Damasco a partir das 16h do horário local (10h no horário de Brasília). O toque de recolher vai até 5h de segunda-feira (23h de domingo, no horário de Braília).

As pessoas começaram a esvaziar as ruas quando o anúncio do toque de recolher foi feito. Segundo a repórter Lina Sinjab, ela ouviu alguns bombardeios de artilharia também, mas não sabe dizer de onde vieram.

A imprensa internacional registrou imagens do palácio presidencial de Assad, que foi invadido e saqueado.

Repercussão internacional

O fim do regime de quase 25 anos de Assad foi comemorado nas ruas por sírios em países como França, Alemanha, Turquia e Líbano.

Líderes de vários países ocidentais receberam com satisfação a notícia da queda de Assad.

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse que a queda de Assad é uma “oportunidade histórica” para o país e que nem a Rússia, nem o Irã e nem o Hezbollah poderiam ter salvo o regime.

Biden também afirmou que os EUA vão conversar com “todos os grupos sírios” agora que Assad caiu.

Reino Unido

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que acolhe a queda do “regime bárbaro” de Bashar al-Assad e pediu “paz e estabilidade” no país.

“Os acontecimentos na Síria nas últimas horas e dias não têm precedentes, e estamos falando com nossos parceiros na região e monitorando a situação de perto”, disse Starmer. “O povo sírio sofreu sob o regime bárbaro de Assad por muito tempo e acolhemos sua saída.”

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, disse nas redes sociais: “Assad caiu. É assim que sempre foi e sempre será para ditadores que apostaram em [o presidente russo Vladimir] Putin. Ele sempre trai aqueles que confiam nele”.

Kaja Kallas, a Alta Representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, escreveu no X: “O fim da ditadura de Assad é um desenvolvimento positivo e muito esperado. Também mostra a fraqueza dos apoiadores de Assad, Rússia e Irã.”

“O processo de reconstrução da Síria será longo e complicado e todas as partes devem estar prontas para se envolver de forma construtiva.”

A Casa Branca disse que o presidente dos EUA, Joe Biden, e sua equipe estavam “monitorando de perto os eventos extraordinários na Síria e mantendo contato constante com parceiros regionais”.

EUA

Daniel Shapiro, um alto funcionário do Pentágono, disse que as forças dos EUA permaneceriam no leste da Síria para combater o Estado Islâmico que, segundo ele, poderia explorar as “circunstâncias caóticas e dinâmicas” para intensificar suas operações.

Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, pediu calma. A residência do embaixador italiano em Damasco foi invadida por rebeldes, que roubaram três carros. Ninguém foi ferido.

“Estamos pedindo uma transferência pacífica entre o regime caído e a nova realidade, portanto, uma transição pacífica em vez de militar. Parece-me que no momento as coisas estão indo nessa direção”, disse Tajani.

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Geir Pedersen, disse que hoje “marca um momento decisivo na história da Síria”.

Guerra civil

O país suportou quase 14 anos de guerra civil, enfrentando “sofrimento implacável e perdas indescritíveis”, diz ele.

“Este capítulo sombrio deixou cicatrizes profundas, mas hoje olhamos com esperança cautelosa para a abertura de um novo ciclo — de paz, reconciliação, dignidade e inclusão para todos os sírios.”

Uma autoridade da Arábia Saudita disse que o reino está se comunicando com todos os atores regionais para tentar evitar o caos na Síria.

O rei Abdullah da Jordânia — que faz fronteira com a Síria — emitiu uma mensagem semelhante, pedindo que se evite mais conflitos. Como precaução, seu país fechou sua fronteira com a Síria.

Um alto funcionário diplomático nos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, disse que a principal preocupação de seu país é com o extremismo e o terrorismo — e culpou Assad por não usar a tábua de salvação oferecida a ele por vários países árabes.

Israel

Israel alertou que não permitirá que nenhuma força hostil se estabeleça em suas fronteiras. Mas o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que a queda de Assad foi um resultado direto dos ataques de Israel contra o Irã e o Hezbollah.

Na rede social X, Netanyahu disse que o colapso do regime de Assad “oferece uma grande oportunidade”, mas adverte que também é “repleto de perigos significativos”.

“Este colapso é o resultado direto de nossa ação enérgica contra o Hezbollah e o Irã, os principais apoiadores de Assad”, ele diz. “Isso desencadeou uma reação em cadeia de todos aqueles que querem se libertar dessa tirania e opressão.”

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