16/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mais de 90 seringueiros promovem debates em Brasília para fortalecer cadeia da borracha nativa da Amazônia

Publicado em 05 de novembro, 2024

Mais de 90 seringueiros promovem debates em Brasília para fortalecer cadeia da borracha nativa da Amazônia

Mais de 90 seringueiros do Amazonas, Acre, Pará e Rondônia estão em Brasília (DF) participando da terceira edição do Encontro Multissetorial da Borracha Nativa da Amazônia, que começa nesta terça-feira, dia 5 de novembro, e segue até quinta-feira, dia 7 de novembro, com atividades das 9h às 18h. O evento acontece na Casa de Retiro Assunção, localizada na Quadra 611, Via L2 Norte – Asa Norte.

Juntos, eles farão amplos debates com os diversos atores envolvidos na cadeia extrativista da borracha amazônica, incluindo produtores do Coletivo da Borracha, representantes de empresas e do setor público.

O evento é uma realização do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora), Origens Brasil, WWF-Brasil, Pacto das Águas, Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e Memorial Chico Mendes. Além disso, tem apoio do Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS)/Programa Brasil e USAID Brasil e Fundação Zurich.

Segundo o presidente do Memorial Chico Mendes, Adevaldo Dias, o Encontro Multissetorial da Borracha Nativa da Amazônia tem o objetivo de desenvolver uma visão estratégica para a cadeia da borracha, fortalecer as associações e definir estratégias de governança para o coletivo.

Fatores

“Estamos tentando engajar novos fatores e destravar políticas públicas. Além disso, destacamos que diante das extremidades climáticas, é muito importante manter essas pessoas nas comunidades apoiando na proteção das florestas. Por isso, queremos fortalecer cada vez mais as relações comerciais e definir acordos e compromissos que valorizem os modos de vida tradicionais, ampliando a visão de desenvolvimento territorial e valorizando as associações para aumento de volumes de produção”, comenta Dias.

Uma das principais pautas do evento é a formalização do Coletivo da Borracha, estruturação de governança, mapeamento dos arranjos territoriais, fortalecimento de relações comerciais, entre outras, como o lançamento de uma carta aberta oficial com o posicionamento do coletivo.

“A cadeia da borracha teve sua retomada de modo estruturado recentemente e tem atributos socioambientais importantes para contribuir com a implementação do Plano Nacional de Bioeconomia, com a agenda climática, e a transição para a economia da floresta em pé, geração de renda e valorização das populações tradicionais”, declara Natasha Mendes, Analista de Conservação do WWF-Brasil.

Em 2023, a cadeia da borracha foi fortemente retomada pelos povos indígenas em Rondônia, por meio do projeto Borracha Nativa, realizado em parceria entre a rede Origens Brasil® e a Mercur. A iniciativa, que atua há mais de 10 anos com povos do Xingu, expandiu para Rondônia e lançou um novo produto: a borracha 100% látex da Amazônia.

Territórios

Em números, a Mercur comprou mais de 63 toneladas de borracha natural da rede Origens Brasil® entre 2010 e 2023. No ano passado, foram 8,65 toneladas. A previsão para os próximos anos é chegar em 30 toneladas/ano. O comércio justo com as comunidades extrativistas gerou mais de R$ 165 mil de renda para os seringueiros.

Ao todo, são oito territórios parceiros da rede Origens Brasil® fortalecidos pelo comércio ético da borracha: quatro ficam na Terra do Meio em Altamira (PA) – Reserva Extrativista Rio Xingu, Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, Reserva Extrativista Rio Iriri e Terra Indígena Xipaya – e outros quatro, em terras indígenas no Estado de Rondônia (RO) – Igarapé Lourdes, Rio Branco, Sete de Setembro e Uru-Eu-Wau-Wau.

Outro exemplo é o projeto “Juntos pela Amazônia”, que já beneficiou 4170 famílias e contribuiu diretamente para a conservação de mais de 60 mil hectares da Amazônia, a partir do manejo para a produção da borracha, somente em 2022. Indiretamente, o impacto ambiental positivo ultrapassou 1,3 milhão de hectares nas quatro Unidades de Conservação (UCs) e nos cinco municípios do Amazonas em que as atividades são realizadas: Canutama, Pauini, Manicoré, Eirunepé e Itacoatiara.

Extração de látex

Além disso, só no primeiro ano de extração de látex com o apoio do projeto, mais de 60 toneladas de borracha nativa foram produzidas e vendidas para a Michelin no Brasil, gerando R$ 900 mil de renda para as famílias participantes.

A primeira remessa da safra 2024/2025 de borracha nativa gerou mais 31,5 toneladas e R$ 441 mil de renda para famílias e associações de seringueiros dos municípios de Manicoré (a 347 quilômetros de Manaus) e Itacoatiara (a 270 quilômetros da capital), mesmo com todas as dificuldades, diante da grande estiagem que vem isolando comunidades e causando grandes prejuízos no Amazonas. Desse total, mais de R$ 378 mil foram destinados aos seringueiros e mais de R$ 63 mil para as associações.

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